Sábado, 22 de Julho de 2006

SANTA IRIA

SANTA IRIA
Era uma vez ... ali para os lados da Torre havia um lugar chamado de
Magueixa.

Lá viviam Emírgio e a sua mulher Eugénia Magueixa, assim apelidada por ter
nascido naquele pequeno lugar.

Como eram muito trabalhadores e económicos, juntaram uns dinheiros e
construíram uma casa a que o povo passou a chamar a Torre da Magueixa, em
lembrança
do nome da mulher do Emírgio.

Tempos depois nasceu naquela casa uma menina a quem seus pais puseram o nome
de Iria.

Passaram os anos da infância de Iria. E, um dia, os pais mandaram-na para um
recolhimento de uma terra chamada Nabância - é hoje a cidade de Tomar - onde
viviam duas tias de Iria, irmãs do pai Emírgio, que se chamavam Casta e
Júlia.

Em Nabância também vivia um outro parente de Iria, que era abade dos
religiosos de S. Bento e que recomendou Iria a um santo monge chamado
Remígio.

Iria mostrara sempre uma profunda Fé, uma devoção total, e, por isso, muito
bondosa e caridosa, começou a tornar-se notada pelos seus sentimentos
cristãos.

Tão profundamente sentia a Verdade pregada por Cristo que procurava a
clausura para melhor se sentir junto de Deus, e só saía no dia de S. Pedro
para ir
rezar na Igreja deste Apóstolo.

Por aquele tempo vivia em Nabância um jovem chamado Bristaldo, filho do
Governador, que ao ver na Igreja de S. Pedro a Iria, muito linda, muito
formosa,
se apaixonou por ela.

A paixão de Britaldo foi tão forte que adoeceu gravemente.

Iria, por inspiração divina, soube da doença do rapaz e da razão que a
provocara e, por caridade, foi visitá-lo, desenganando-o dos seus desejos de
se casar
com ela. Então Britaldo pediu a Iria que nunca casasse nem amasse a outro
rapaz, o que Iria prometeu imediatamente. Com esta promessa tão prontamente
feita,
o filho do Governador sentiu-se logo melhor.

Mas ... o bom Monge Remígio, a cujos cuidados Iria havido sido entregue,
começou a sentir-se apaixonado pela linda Iria e a tentá-la.

Iria não aceitou as tentações do Monge Remígio, o que levou este a tramar
uma vingança contra a doce e inocente Iria. E a vingança consumou-se.

O monge, que tinha muito de sábio, preparou uma beberagem com ervas, que
conhecia, e que provocou a inchação do ventre, dando a aparência de uma
falta.

Iria bebeu a tisana de boa fé. E o ventre de Iria começou a inchar, e quanto
mais os dias corriam mais ele se avolumava e mais a sua fama de Santa
desaparecia.

Todas passaram a duvidar da pureza e da virtude de Iria. Britaldo, o jovem
filho do Governador, ao saber o que constava e julgando que Iria faltara à
sua
promessa, jurou vingar-se e ordenou a um dos seus familiares que a fosse
matar.

E o familiar matou Iria, no dia 20 de Outubro de 653, degolando-a, quando
Iria, sempre pura e inocente, estava ajoelhada e de mãos postas a rezar, à
beira
do rio Nabão, que passava junto ao Convento onde estava Iria. E o corpo foi
rio abaixo.

No mesmo momento Célio, também tio de Iria, por revelação de Deus, sentiu a
trama de Remígio e conheceu o sítio onde estava o corpo de Iria. E tudo
revelou
ao povo que, cheio de dó e reconhecendo a inocência e a pureza de Iria, deu
graças a Deus e foi buscar, em solene procissão, à baixa de Santarém chamada
ribeira, o corpo de Iria.

Ali chegados deu-se o grande milagre de se abrirem as águas do Tejo, na
margem, até onde estava o corpo imaculado da Santa, sobre um túmulo feito
pelas
mãos diáfanas dos Anjos.

Era o desejo de seus conterrâneos levar o corpo de Santa Iria, mas ninguém o
pôde fazer. Ninguém o movia. Apenas lhe levaram, para recordação, alguns
cabelos
e pedaços do pano da camisa que milagrosamente serviram para tratamento de
cegos e aleijados no Convento de Santa Iria.

Muitos milagres, segundo dizem, se devem a esta Santa, que séculos mais
tarde, teve a visita de outra Santa, a Rainha Santa Isabel.

E na Torre, na terra que a viu nascer, ainda hoje existe uma capela da
invocação de Santa Iria que, segundo a tradição oral, foi construída no
mesmo sitio
onde esteve edificada a casa onde Ela nasceu.

(M. Seleiro, postou em: tradicional@googles

publicado por tradicional às 02:07
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