Quinta-feira, 29 de Junho de 2006

Lenda de Santa Joana Princesa

A princesa D. Joana, filha do rei Afonso V, revelou desde muito tenra idade
uma grande vocação religiosa. Esta filha primogénita, apesar de ser obrigada
a viver na Corte pela sua posição, afastava-se o mais possível de festas e
convívios e passava grande parte do seu tempo a rezar e a meditar. A
princesa
era, dizia-se, muito bela e teve muitos pretendentes, entre estes muitas
cabeças coroadas, mas a todos recusou alegando a sua intenção de se tornar
freira.
Com a autorização real, entrou D. Joana para Odivelas, mudando-se mais tarde
para o Convento de Santa Clara de Coimbra, mas acabando por resolver
professar
no Convento de Jesus, em Aveiro. Esta última decisão foi contestada tanto
pelo rei como pelo povo, dado que o Convento de Jesus era muito pobre e, na
opinião
geral, indigno de uma princesa. Por outro lado, o povo discordava da vocação
da princesa e não queriam que ela professasse. Perante tanta discórdia D.
Joana decidiu não professar, mas declarou que usaria o véu de noviça para
sempre e insistiu em ingressar no Convento de Jesus, vivendo na humildade e
na
pobreza e aplicando as rendas que possuía no socorro dos pobres. A sua
caridade era tão grande que depressa ficou conhecida como santa. Mas a bela
princesa
adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou
pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia
tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem.
Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana
Princesa,
levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a
beatificação a esta infanta de Portugal.

 

publicado por tradicional às 00:28
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Lenda do Rei Ramiro

Uma antiga lenda que remonta ao século X, conta que o rei Ramiro II de Leão
se apaixonou por uma bela moura de sangue azul, irmã de Alboazer Alboçadam,
rei mouro que possuía as terras que iam de Gaia até Santarém. Influenciado
pela sua paixão e com a intenção de pedir a moura em casamento, Ramiro
decidiu
estabelecer a paz com Alboazer, que o recebeu no seu palácio de Gaia. Apesar
de já ser casado, Ramiro pensou que seria fácil obter a anulação do seu
casamento
pelo parentesco que o unia a D. Aldora. Alboazer recusou terminantemente:
nunca daria a irmã em casamento a um cristão e, de todas as formas, esta já
estava
prometida ao rei de Marrocos. O rei Ramiro, vexado, pareceu aceitar a
recusa, mas pediu ao astrólogo Amã que estudasse os astros para decidir qual
a melhor
altura para raptar a princesa e levou-a consigo nessa data propícia. Dando
por falta da irmã, Alboazer ainda chegou a tempo de encontrar os cristãos a
embarcar no cais de Gaia. Gerou-se uma luta favorável ao rei cristão, que
levou a princesa moura para Leão, a baptizou e lhe deu o nome de Artiga, que
tanto significava castigada e ensinada como dotada de todos os bens.
Alboazer, para se vingar, raptou a legítima esposa do rei Ramiro, D. Aldora,
juntamente
com todo o seu séquito. Quando o rei Ramiro soube do rapto ficou louco de
raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos, zarpou de
barco
para Gaia. Aí chegados Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a uma
fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora a quem pediu um pouco de
água,
aproveitando para dissimuladamente deitar no recipiente da água meio
camafeu, do qual a rainha possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D.
Aldora mandou
buscar o rei disfarçado de pedinte e, por vingança da sua infidelidade,
entregou-o a Alboazer. Sentindo-se perdido, o rei Ramiro pediu a Alboazer
uma morte
pública, esperando com astúcia ganhar tempo para poder avisar o seu filho
através do toque do seu corno de caça. Ao ouvir o sinal combinado, D.
Ordonho
acorreu com os seus homens ao castelo e juntos mataram Alboazer e o seu
povo, para além de destruírem a cidade. Levando D. Aldora e as suas aias
para o
seu barco, o rei Ramiro atou uma mó de pedra ao pescoço da rainha e atirou-a
ao mar num local que ficou a ser conhecido por Foz de Âncora. O rei Ramiro
voltou para Leão onde se casou com a princesa Artiga, de quem teve uma vasta
e nobre descendência.

 

publicado por tradicional às 00:22
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Quarta-feira, 28 de Junho de 2006

Lenda de Pedro Sem

A torre medieval que se encontra diante do antigo Palácio de Cristal, no
Porto, é ainda hoje conhecida por Torre de Pedro Sem. A história diz que
essa torre
pertencia a Pêro do Sem, doutor de leis, jurisconsulto e chanceler-mor de D.
Afonso VI, no século XIV. Mas a lenda remete para uma data posterior, no
século
XVI, a existência de um personagem Pedro Sem que vivia no seu Palácio da
Torre. Possuindo muitas naus na Índia, Pedro Sem era um mercador rico mas
não
tinha títulos de nobreza, o que muito o afectava. Era também usurário,
emprestando dinheiro a juros elevados, à custa da desgraça alheia, enquanto
vivia
rodeado de luxo. Estavam as suas naus a chegar, carregadas de especiarias e
outros bens preciosos, quando a sua máxima ambição foi realizada através do
seu casamento com uma jovem da nobreza, em troca do perdão das dívidas de
seu pai. Decorria a festa de casamento, que durou quinze dias consecutivos,
quando
as naus de Pedro Sem se aproximaram da barra do Douro. O arrogante mercador
acompanhado pelos seus convidados subiu à torre do seu palácio e, confiante
do seu poder, desafiou Deus, dizendo que nem o Criador o poderia fazer
pobre. Nesse momento, o céu que estava azul deu lugar a uma grande
tempestade! Pedro
Sem assistiu, impotente e encharcado pela chuva, ao naufrágio das suas naus.
De seguida, a torre foi atingida por um raio que fez deflagrar um incêndio
que destruiu todos os seus bens. Arruinado, Pedro Sem passou a pedir esmola
nas ruas, lamentando-se a quem passava: "Dê uma esmolinha a Pedro Sem, que
teve tudo e agora não tem...".
publicado por tradicional às 22:40
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2006

Santiago e Caio

No ano de 44 da era de Jesus Cristo, passeava pela praia de Matosinhos um
ilustre cavaleiro da Maia, Caio Carpo Palenciano, com a sua mulher Claudina
e
vários parentes e amigos. Cavalgava o grupo pelo areal quando alguém
vislumbrou uma barca que se dirigia para norte. Os cavaleiros e as damas
pararam todos
para apreciar o ritmo e a beleza da embarcação, quando inexplicavelmente o
cavalo de Caio galopou para dentro do mar, apesar de este o tentar evitar,
como
se fosse obrigado por uma força desconhecida. Cavalo e cavaleiro imergiram
no mar e desapareceram para ressurgirem perto da barca, para onde subiram
cobertos
de vieiras. Quando perguntaram à tripulação o motivo deste fenómeno e qual a
razão da sua viagem, estes explicaram que eram discípulos cristãos de um
homem
chamado Tiago. Tinham fugido de grandes perseguições, levando o corpo do seu
Mestre para terras de Espanha, onde Tiago tinha pregado o Evangelho. Segundo
estes homens, o fenómeno ocorrido com Caio e o seu cavalo poderia ser
explicado pelo facto de ele ser um escolhido de Nosso Senhor. As vieiras
eram o sinal
de Santiago que queria ver Caio abraçar a lei de Deus. Comovido, Caio foi
ali mesmo baptizado com água do mar e, quando voltou para junto dos seus
familiares
e amigos, a todos converteu com o extraordinário feito de Santiago. As
vieiras ficaram a fazer parte do brasão da nobre família Pimentel de
Trás-os-Montes,
descendentes, segundo se crê, de Caio Carpo Palenciano.
(Colaboração de: Manuel Seleiro)
publicado por tradicional às 23:55
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Lenda dos Tripeiros

No ano de 1415, construíam-se nas margens do Douro as naus e os barcos que
haveriam de levar os portugueses, nesse ano, à conquista de Ceuta e, mais
tarde,
à epopeia dos Descobrimentos. A razão deste empreendimento era secreta e nos
estaleiros os boatos eram muitos e variados: uns diziam que as embarcações
eram destinadas a transportar a Infanta D. Helena a Inglaterra, onde se
casaria; outros diziam que era para levar El-Rei D. João I a Jerusalém para
visitar
o Santo Sepulcro. Mas havia ainda quem afirmasse a pés juntos que a armada
se destinava a conduzir os Infantes D. Pedro e D. Henrique a Nápoles para
ali
se casarem...

Foi então que o Infante D. Henrique apareceu inesperadamente no Porto para
ver o andamento dos trabalhos e, embora satisfeito com o esforço despendido,
achou que se poderia fazer ainda mais. E o Infante confidenciou ao mestre
Vaz, o fiel encarregado da construção, as verdadeiras e secretas razões que
estavam
na sua origem: a conquista de Ceuta. Pediu ao mestre e aos seus homens mais
empenho e sacrifícios, ao que mestre Vaz lhe assegurou que fariam para o
infante
o mesmo que tinham feito cerca de trinta anos atrás aquando da guerra com
Castela: dariam toda a carne da cidade e comeriam apenas as tripas. Este
sacrifício
tinha-lhes valido mesmo a alcunha de "tripeiros". Comovido, o infante D.
Henrique disse-lhe então que esse nome de "tripeiros" era uma verdadeira
honra
para o povo do Porto. A História de Portugal registou mais este sacrifício
invulgar dos heróicos "tripeiros" que contribuiu para que a grande frota do
Infante D. Henrique, com sete galés e vinte naus, partisse a caminho da
conquista de Ceuta.
Colaboração: Manuel Seleiro

publicado por tradicional às 23:50
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Domingo, 25 de Junho de 2006

Lendas diversas

As lendas que falam dos deuses e da criação do homem podem, em alguns casos, serem atribuídas a uma ou outra das regiões gregas. Em sua maioria, no entanto,
devido ao fato de serem contadas e recontadas em toda a Grécia, é difícil precisar a região de origem.
As
lendas heróicas,
por outro lado, podem ser agrupadas com relativa facilidade de acordo com a região de onde provavelmente se originaram. Eis uma relação das mais importantes:
List of 5 items
1. Lendas da Tessália:
Alceste,
Íxion e os centauros,
Peleu,
Frixo e Hele,
Argonautas,
Asclépio
2. Lendas da Beócia:
Europa, Cadmo,
Anfíon,
Héracles,
Édipo, Sete contra Tebas, Epígonos, Narciso
3. Lendas da Argólida:
Belerofonte,
Ió,
Prétides,
Danaides,
Perseu,
Átridas
4. Lendas de Atenas:
Cécrops, Filomela e Procne,
Prócris,
Teseus,
Dédalo e Ícaro
5. Regiões diversas:
Dióscuros
(Esparta), Meleagro (Etólia),
Orfeu
(Trácia).
list end
Diversas lendas orientais ou de origem obscura, além disso, foram assimiladas aos mitos gregos durante os Períodos Helenístico e Greco-Romano: Pigmalião,
Adônis, Midas, Eros e Psiquê, entre outras.
publicado por tradicional às 17:19
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LENDA DA PONTE DA MISARELA

Em Ferral, VIla Nova, no concelho de Montalegre ergue-se a
                  monumental ponte do diabo, medieval, cheia de beleza e
lendas.

                  Lá para as bandas de trás-os-montes, onde Vieira do Minho
                  namora com Montalegre, em terras de Barroso, a gente era
muito
                  simples e forte, crente e temente a Deus e medrosa do
Diabo.
                  Em tempos antigos houve um criminoso que vagueava e se
                  escondia na região, acabando por ser descoberto e
perseguido
                  pelas autoridades.
                  Na sua fuga, facilitada por bem conhecer o local,
deparou-se
                  com um rio que não podia ultrapassar. O rio Rabagão.
                  Em desespero pediu ajuda ao diabo que prontamente lhe
                  perguntou:
                  - Que queres de mim?
                  - Passa-me para a outra margem deste maldito rio e
dar-te-ei a
                  minha alma. Responde-lhe o criminoso.
                  O diabo não podia querer mais, nem melhor, e logo faz
aparecer
                  uma ponte, mandando o criminoso atravessar sem olhar para
                  trás. Mal ele tinha acabado de chegar à outra margem do
rio ,
                  o demónio fez desaparecer a ponte.
                  O tempo passou, o criminoso encontrou novo esconderijo.
                  Um dia a morte bateu (-lhe ) à porta
                  - Venho-te buscar, alma do diabo.
                  Aterrorizado, pede tréguas e aflito, manda chamar o padre
para
                  lhe tirar o diabo e dar-lhe os últimos sacramentos.
                  O padre encapotado, zeloso e corajoso, ritual no bolso,
água
                  benta no hissope, corre a cavalo em direcção ao leito do
                  arrependido.
                  Qual não foi o seu espanto ao chegar ao caudaloso rio
Rabagão:
                  Não havia ponte que unisse as suas margens, sobre as
rochas ,
                  torneadas pelas águas, no mesmo local, onde o criminoso
                  passara em tempos.
                  Revoltado, no afã da pressa para aliviar o cristão aflito,
em
                  desespero, ora a Deus:
                  "Meus Deus valei-me, ajudai-me, de forma a passar o rio
para
                  chegar a tempo, junto do doente".
                  Esperou o milagre, mas desesperado pela demora, grita para
a
                  margem da enorme cascata ruidosa, batendo em cachão, sobre
                  rochas já furadas, em enormes caldeiras onde a água
rodopiava
                  como um moinho:
                  - Por Deus das águas puras do Rabagão ou pelo Diabo das
pedras
                  negras, apareça aqui uma ponte de pedra, gritou o cura
cheio
                  de medo. A sua voz ecoou pelos vales fundos da Misarela e
                  respondeu o eco .uma ponte de pedra, uma ponte de pedra,
uma
                  ponte.
                  Era já lusco fosco, a noite ia chegando, as sombras do
freixo
                  e da oliveira cresciam pela encosta.
                  Os olhos do cura avistam na margem de lá, um bicho negro,
em
                  forma de grande carneiro, cornos retorcidos.
                  - És tu Satanás? E gritou forte mas medroso: Vade retro! E
de
                  imediato arroja o hissope da água benta que leva para
aspergir
                  o criminoso moribundo, em direcção à figura téctrica na
outra
                  margem da cascata, onde arreganhava os dentes brancos.
                  E qual não foi o seu espanto, ia surgindo em arco, uma
bela
                  ponte de pedra assente em ciclópicas e acasteladas rochas,
                  conforme o arco feito pela água benta.
                  E ouviu, na confusão das águas em cachão, que até as
pedras
                  moldam e furam, um estrondo, com cheio a enxofre:
                  - Arrebenta tu diabo, que esta alma não é tua, disse já
                  aliviado do medo.
                  Agradecendo o milagre, seguiu e conseguiu feliz, chegar a
                  socorrer com êxito o pecador arrependido.
                  Desde então a ponte da Misarela, ficou na lenda com fama
de
                  ponte mágica, ponte do diabo, ponte de virtude.
                  A fama da ponte cresceu e subiu mais alto, quando dois
irmãos
                  santos do sec. X, Gervásio e Senhorinha, vieram dos lados
de
                  Vieira do Minho, a caminho de Santiago de Compostela por
                  Celanova , onde visitam o Bispo S. Rosendo, de que eram
primos.
                  Espalhou-se nas redondezas a fama de ponte santa, águas
                  milagrosas, fecundas, onde o diabo não tem poder, porque
foi
                  derrotado.
                  Por terras de Barroso, de aldeias serranas, vida agreste,
de
                  casais jovens, nasciam muitos filhos, aparados por
parteiras
                  curiosas, à lareira, no escano, com grande caldeira a
fumegar
                  com água quente, no meio de muitas rezas: benza-o Deus!
                  A mortalidade infantil, cada vez maior, e o receio de se
                  perderem as almas daqueles anjinhos inocentes, bate à
porta do
                  casal barrosão.
                  A jovem mulher preocupada, pega na saca da merenda, e diz
para
                  o marido:
                  -Ó homem, morreu-nos o 1º filho. agora já de novo prenha
de 8
                  meses. E se nos morre o que vai nascer, sem baptismo como
o
                  outro?
                  - Vamos àquela ponte de virtude, que dizem de águas santas
                  benzidas por dois santos e um bispo, lá prós lados de S.
                  Marinha de Ferral?
                  E lá foram a pé os dois, desceram até à Misarela, cheios
de
                  coragem e esperança de vida. Era Outono, as noites
arrefecem,
                  acendem o lume no meio da ponte, comem o carolo de pão. E
                  ficam despertos, à espera do 1º passante depois da
meia-noite
                  e antes do nascer do Sol.
                  Os vizinhos de Sidróes ao sentirem fumo na ponte, diziam:
                  vamos que hoje há baptizado.
                  Já quase pensando voltar outro dia, ao longe, ao romper da
                  aurora, ouvem passos de socos, nas lajes da calçada.
                  - Quem vem lá, pergunta o homem, a medo?
                  - Gente de paz. Surge um barrosão, embrulhado na sua capa
de
                  burel, sacho debaixo do braço, rosto alegre e diz-lhes:
                  - Já sei que quereis ter um filho vivo.
                  - Sim, ouvimos falar dos milagres desta água tirada
debaixo da
                  ponte. O senhor, por amor de Deus, faz-nos o baptizado?
                  - Sim, irmãos, eu já adivinhava, trouxe corda e caneco
para a
                  tirar mais fácil e pura.
                  O passante assim o disse, assim o fez. Prendeu o caneco de
                  barro negro de Nantes a uma corda comprida, deixou
mergulhar o
                  caneco a meio do arco da ponte e puxou-o cheio a verter.
                  A mulher ergue a saia de burel e o saiote vermelho, ao
lado do
                  marido, e o Barrosão, verte sobre aquela barriga jovem,
                  prenhe, oval, a água límpida e fria e diz palavras rituais
e
                  sagradas:
                  "Eu te baptizo criatura de Deus. Se fores rapaz, serás
Gerváz,
                  se fores menina, serás Senhorinha. Em louvor de Deus e da
                  Virgem Maria Padre-nosso e Ave-maria".
                  Sussurram a oração e agradecem muito ao padrinho, que ali
fez
                  de padre fazendo um pré- baptismo, com garantias de ao
nascer
                  ser realmente padrinho.
                  O casal regressa a casa contente, subindo a ladeira até S.
                  Marinha, onde os Gervázios e Senhorinhas, vivos e mortos
por
                  toda a região de Barroso e Basto e Minho abundam ainda
hoje,
                  devido a este curioso ritual, assente na crença que as
águas
                  do Rabagão, antes de entrarem no Cavado têm a virtude de
dar
                  vida aos que ali passam na barriga da Mãe.
                  Quem o contou está aqui e quem o quer saber vai lá.

Zé Luís

publicado por tradicional às 17:11
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Lenda da Cova Encantada ou da Casa da Moura Zaida

Na serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros, existe uma rocha com um
corte que a tradição diz marcar a entrada para uma cova que tem comunicação
com
o castelo. É conhecida pela Cova da Moura ou a Cova Encantada e está ligada
a uma lenda do tempo em que os Mouros dominavam Sintra e os cristãos nela
faziam
frequentes incursões. Num dos combates, foi feito prisioneiro um cavaleiro
nobre por quem Zaida, a filha do alcaide, se apaixonou. Dia após dia, Zaida
visitava o nobre cavaleiro até que chegou a hora da sua libertação, através
do pagamento de um resgate. O cavaleiro apaixonado pediu a Zaida para fugir
com ele mas Zaida recusou, pedindo-lhe para nunca mais a esquecer. O nobre
cavaleiro voltou para a sua família mas uma grande tristeza ensombrava os
seus
dias. Tentou esquecer Zaida nos campos de batalha, mas após muitas noites de
insónia decidiu atacar de novo o castelo de Sintra. Foi durante esse combate
que os dois enamorados se abraçaram, mas a sorte ou o azar quis que o nobre
cavaleiro tombasse ferido. Zaida arrastou o seu amado, através de uma
passagem
secreta, até uma sala escondida nas grutas e, enquanto enchia uma bilha de
água numa nascente próxima para levar ao seu amado, foi atingida por uma
seta
e caiu ferida. O cavaleiro cristão juntou-se ao corpo da sua amada e os dois
sangues misturaram-se, sendo ambos encontrados mais tarde já sem vida. Desde
então, em certas noites de luar, aparece junto à cova uma formosa donzela
vestida de branco com uma bilha que enche de água para depois desaparecer na
noite após um doloroso gemido...

 

Colaboração de:

 

(M. Seleiro)

publicado por tradicional às 16:58
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A Lenda da Ilha Brasil

Ilha ou grupo de ilhas imaginárias, que poderão, eventualmente, ser assinaladas à tradição das viagens de São Brandão em busca do Éden, haja vista que a
sua origem se integra no arcaísmo celtizante irlandês dos primeiros tempos históricos. Efetivamente, a raiz terminológica de Brasil pode derivar de um
produto tintureiro, assim denominado a partir do século XII, e que Marco Polo já refere na sua clássica obra, mas é mais provável quer advenha do irlandês
“Hy Brysail”, que significa terra dos eleitos, a ilha paradisíaca que as sagas proto-históricas contavam existir a ocidente; na antiga língua surgem, realmente,
topônimos como “Bresail”, que denotam o mesmo sentido.
Na cartografia medieval, as primeiras representações da Ilha Brasil datam ainda dos princípios do século XIV e estão contidas nos mapas de Dalorto(1325),
Dulcert(1339) e no “Portulano Mediceo Laurenziano”, de 1351. Nesses primeiros testemunhos a ilha vem já com uma forma que será depois abundantemente propagada:
um círculo perfeito, posicionado a oeste do Cabo Clear, não muito distante deste. Na segunda metade do século XIV, e concretamente nas cartas de Pizzigani(1367),
numa carta catalã(1375), no atlas “Walckenaer-Pinelli”(1384), no mapa de Solerini(1380-1385), no atlas de Nicolau de Combitis e num portulano de Nápoles(fins
do século XIV), aparece então, a par da primeira, uma outra Ilha Brasil, associada ao que se presume ser o arquipélago dos Açores e que muitos autores
tem identificado com a Ilha Terceira; entre esta e a Irlanda, por vezes, é ainda delineada outra Ilha Brasil, isolada no Atlântico, de menores dimensões.
Em algumas obras cartográficas deste período, ou mesmo posteriores, chegam a figurar conjuntamente a três Ilhas Brasil, sempre nas coordenadas indicadas.
A carta catalã de 1375 traz, todavia, uma inovação significativa: a ilha localizada a oeste da Irlanda desaparece como território uno e passa a apresentar-se
como uma cintura de terra, circular, tendo no seu interior nove pequenos ilhéus. Toda a cartografia do século XV segue modelos anteriores. A única exceção,
reside numa carta catalã de 1480, em que a Ilha Brasil é notoriamente afastada para paragens coincidentes com o continente americano, aí surgindo acoplada
à “ínsula Verde”, embora mantendo a sua forma circular. Na época do século XVI, as orientações cartográficas dividem-se sensivelmente, havendo cartógrafos
que permanecem fiéis aos enquadramentos transactos, enquanto outros, por via de avanços exploratórios que entretanto se iam concretizando, resolvem optar
pelo transporte de Ilha Brasil para outras latitudes ainda não suficientemente desbravadas. Nesta última corrente inscrevem-se os trabalhos de Desceliers(1546),
que a representa algures nas imediações da Islândia, de Nicolas de Nicolay(1560), Zaltieri(1566) e Lafreris, no mapa 103(1566), todos eles colocando-a
junto ao litoral da Terra dos Bacalhaus. A palavra “Brasil”, na sua longa e enigmática história, tomou variadíssimas grafias, todas elas similares: Brazi,
Brazie, Bracil, Brazil, Bresil, Brassil e Breasail.

 Elisio Gomes Filho

publicado por tradicional às 16:50
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A lenda do pirata Cambaral e da bela Leonor

Durante a primeira metade do século XVI, aquando do povoamento da ilha da
Madeira, chegou a este arquipélago, vindo do mar, um barco de piratas que
tinha
como comandante , Cambaral, pirata jovem e forte que espalhava o terror por
onde passava.
Amedrontados, os pescadores , foram pedir auxilio a um dos ricos homens da
ilha, de modo a que fosse dado caça ao pirata, para que este fosse condenado
á morte.
Assim que se aproximaram do barco que se encontrava ao largo da praia,
aqueles que iam dar caça aos piratas, foram também avistados por estes que
logo se
prepararam para o combate. Combate esse que durou várias horas e que
provocou bastantes mortes de ambos os lados.
Os piratas começaram a ceder e Cambaral, encontrado bastante ferido e sem
sentidos, foi feito prisioneiro. O homem rico que tinha liderado a luta,
levou
Cambaral para sua casa de modo a curá-lo antes que este fosse entregue á
justiça do reino.
Cambaral, foi entregue aos cuidados de Leonor, filha do dono da casa e
começou a sarar dia após dia. Esta convivência acabou por criar uma certa
intimidade
entre os dois belos jovens. Cambaral, ia ficando cada dia cada vez mais
fascinado e apaixonado por Leonor.
Vários dias se passaram e também Leonor foi ganhando amor pelo seu
prisioneiro. Passavam os dois, várias horas lado a lado, ela dedicando-se
cada vez mais
a ele e ele ficando cada vez mais apaixonado por ela.
Um mês após a batalha, Cambaral, ficou livre de perigo e teria que ser
entregue á justiça. Poucos dias restavam aos dois apaixonados
Leonor começou a olhar com esperança para o mar, á espera que dali viesse
alguma salvação. Cambaral, perdeu definitivamente o seu lado cruel e Leonor
acreditou
na sua regeneração definitiva.
Acabaram por compreender que nada mais lhes restava para além da fuga.
Cambaral, tinha ainda o seu barco no mar e acabaram por traçar um plano para
a noite
seguinte.
Quando a noite do dia seguinte chegou, Leonor dirigiu-se como sempre ao
quarto do prisioneiro que entretanto já tinha conseguido fugir. Ai
permaneceu o
tempo costumeiro e em seguida retirou-se para o seu quarto. Quando tudo
estava em silêncio na casa, Leonor saiu de mansinho, conforme o plano
traçado e
dirigiu-se á ponte onde se encontraria com o seu pirata.
Quando enfim se reuniram sobre a ponte, cheios de alegria abraçaram-se e
beijaram-se. Mas nesse preciso momento, o pai da jovem que tinha dado pela
sua
fuga, cheio de ódio pela traição sofrida, ergueu a espada que trazia e
cortou com um só golpe a cabeça aos dois amantes. Ali caíram os corpos
abraçados.
E a partir desse dia, aquela ponte, onde os amantes morreram abraçados,
ficou a ser conhecida pelo povo como a ponte do beijo.

(Manuel Seleiro)

publicado por tradicional às 16:03
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