Quinta-feira, 29 de Junho de 2006

Lenda de Santa Joana Princesa

A princesa D. Joana, filha do rei Afonso V, revelou desde muito tenra idade
uma grande vocação religiosa. Esta filha primogénita, apesar de ser obrigada
a viver na Corte pela sua posição, afastava-se o mais possível de festas e
convívios e passava grande parte do seu tempo a rezar e a meditar. A
princesa
era, dizia-se, muito bela e teve muitos pretendentes, entre estes muitas
cabeças coroadas, mas a todos recusou alegando a sua intenção de se tornar
freira.
Com a autorização real, entrou D. Joana para Odivelas, mudando-se mais tarde
para o Convento de Santa Clara de Coimbra, mas acabando por resolver
professar
no Convento de Jesus, em Aveiro. Esta última decisão foi contestada tanto
pelo rei como pelo povo, dado que o Convento de Jesus era muito pobre e, na
opinião
geral, indigno de uma princesa. Por outro lado, o povo discordava da vocação
da princesa e não queriam que ela professasse. Perante tanta discórdia D.
Joana decidiu não professar, mas declarou que usaria o véu de noviça para
sempre e insistiu em ingressar no Convento de Jesus, vivendo na humildade e
na
pobreza e aplicando as rendas que possuía no socorro dos pobres. A sua
caridade era tão grande que depressa ficou conhecida como santa. Mas a bela
princesa
adoeceu de peste e morreu em grande sofrimento. Quando o seu enterro passou
pelos jardins do convento deu-se um facto insólito: as flores que ela havia
tratado em vida caiam sobre o seu caixão prestando-lhe uma última homenagem.
Após este primeiro milagre, muitos outros foram atribuídos a Santa Joana
Princesa,
levando a que, duzentos anos depois, o Papa Inocêncio XII concedesse a
beatificação a esta infanta de Portugal.

 

publicado por tradicional às 00:28
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Lenda do Rei Ramiro

Uma antiga lenda que remonta ao século X, conta que o rei Ramiro II de Leão
se apaixonou por uma bela moura de sangue azul, irmã de Alboazer Alboçadam,
rei mouro que possuía as terras que iam de Gaia até Santarém. Influenciado
pela sua paixão e com a intenção de pedir a moura em casamento, Ramiro
decidiu
estabelecer a paz com Alboazer, que o recebeu no seu palácio de Gaia. Apesar
de já ser casado, Ramiro pensou que seria fácil obter a anulação do seu
casamento
pelo parentesco que o unia a D. Aldora. Alboazer recusou terminantemente:
nunca daria a irmã em casamento a um cristão e, de todas as formas, esta já
estava
prometida ao rei de Marrocos. O rei Ramiro, vexado, pareceu aceitar a
recusa, mas pediu ao astrólogo Amã que estudasse os astros para decidir qual
a melhor
altura para raptar a princesa e levou-a consigo nessa data propícia. Dando
por falta da irmã, Alboazer ainda chegou a tempo de encontrar os cristãos a
embarcar no cais de Gaia. Gerou-se uma luta favorável ao rei cristão, que
levou a princesa moura para Leão, a baptizou e lhe deu o nome de Artiga, que
tanto significava castigada e ensinada como dotada de todos os bens.
Alboazer, para se vingar, raptou a legítima esposa do rei Ramiro, D. Aldora,
juntamente
com todo o seu séquito. Quando o rei Ramiro soube do rapto ficou louco de
raiva e, juntamente com o seu filho D. Ordonho e alguns vassalos, zarpou de
barco
para Gaia. Aí chegados Ramiro disfarçou-se de pedinte e dirigiu-se a uma
fonte onde encontrou uma das aias de D. Aldora a quem pediu um pouco de
água,
aproveitando para dissimuladamente deitar no recipiente da água meio
camafeu, do qual a rainha possuía a outra metade. Reconhecendo a jóia, D.
Aldora mandou
buscar o rei disfarçado de pedinte e, por vingança da sua infidelidade,
entregou-o a Alboazer. Sentindo-se perdido, o rei Ramiro pediu a Alboazer
uma morte
pública, esperando com astúcia ganhar tempo para poder avisar o seu filho
através do toque do seu corno de caça. Ao ouvir o sinal combinado, D.
Ordonho
acorreu com os seus homens ao castelo e juntos mataram Alboazer e o seu
povo, para além de destruírem a cidade. Levando D. Aldora e as suas aias
para o
seu barco, o rei Ramiro atou uma mó de pedra ao pescoço da rainha e atirou-a
ao mar num local que ficou a ser conhecido por Foz de Âncora. O rei Ramiro
voltou para Leão onde se casou com a princesa Artiga, de quem teve uma vasta
e nobre descendência.

 

publicado por tradicional às 00:22
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