Domingo, 25 de Junho de 2006

A Lenda de Abidis

Zona: Santarém - Santarém

Outrora existia junto do rio Tejo um reino verdejante e florido. Nas suas florestas havia muitos animais. Os habitantes eram lavradores e caçadores que
amavam a Natureza.
O rei Gorgoris recebeu dos deuses o segredo de fazer o mel. Foi Gorgoris quem ensinou esse segredo às abelhas. Por isso era conhecido no seu reino e até
em países longínquos pela alcunha de Melícola.
Gorgoris tinha uma filha única, a bela princesa Capipso que adorava passear nas areias doiradas das praias do Tejo.
Certo dia, chegou ao cais de Melícola o navio do grego Ulisses que vinha abastecer-se de comida e água e, também, comprar o famoso mel daquela região.
O herói grego desembarcou para falar com o rei, mas encontrou Calipso e logo se apaixonaram e, esquecidos de tudo, ficaram dias e dias gozando as delícias
daquele país de sol e floridos campos e frondosas florestas. Os caçadores viram os namorados e foram contar ao rei Gorgoris.
Furioso, o rei ameaçou de morte o estrangeiro Ulisses porque não queria que a filha gostasse dele. Ulisses fugiu, às escondidas, numa noite escura. E a
pobre princesa ficou abandonada e à espera de, em breve, ter um bébé... A criança nasceu linda como um anjo. Num braço tinha marcada a vermelho uma flor
que a princesa beijou, com muita ternura.-Ábidis, assim te chamarás!.
Melícola mandou pôr o bébé num cesto e lançar o cesto ao rio. O cesto ficou encalhado numa praia do Tejo. Vieram as corças beber ao rio. Uma aproximou-se
do cesto. Puxou-o e deu de mamar a Ábidis. O Príncipe foi criado pelos animais do bosque.
Vinte anos depois, o rei Gorgoris estava à morte. Cheio de desgostos, porque não tinha nenhum filho, nem nenhum neto para herdar o reino. Os caçadores falaram-lhe
de um jovem, belo e forte, que andava com os animais pelas florestas dos montes e dos vales. O rei ordenou que o trouxessem à sua presença. Armaram-lhe
uma ratoeira e apanharam Ábidis. Logo que o viu, a pobre Calipso, que estava muito doente, reconheceu-o pelo sinal no braço. Gorgoris pediu perdão à filha
e ao neto e fê-lo seu herdeiro.
Ábidis governou muitos e muitos anos com justiça e sabedoria. Nos montes, onde foi criado pela corça, mandou construir uma cidade e chamou-lhe Esca Ábidis,
que significa as delícias de Ábidis.

publicado por tradicional às 15:06
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Lenda da Moura Salúquia

Conta que a princesa e governadora da cidade (então chamada Al-Manijah), de
nome Salúquia, filha de Abu-Hassan, se apaixonou pelo alcaide de Aroche,
Bráfama. Na véspera do matrimónio, Bráfama dirigiu-se então com uma comitiva
para Moura, a dez léguas de distância. Mas todo o território alentejano a
norte e oeste tinha já sido conquistado pelos cristãos, e a jornada
revelava-se perigosa. Entretanto, D. Afonso Henriques encarregara dois
fidalgos, os irmãos Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues, de conquistar a
cidade de Moura.

Estando ao corrente dos preparativos matrimoniais que aí se desenrolavam,
emboscaram-se num olival perto dos limites da povoação. Surpreendidos pela
acção dos cavaleiros cristãos, a comitiva de Aroche foi facilmente vencida,
e Bráfama foi morto. Então, disfarçando-se com as vestes dos representantes
muçulmanos, os fidalgos cristãos dirigiram-se para a cidade. Do alto da
torre do castelo, onde aguardava a chegada do seu noivo, e vendo
aproximar-se um grupo de cavaleiros aparentemente islâmicos, Salúquia julgou
que se tratava da comitiva de Aroche, ao que ordenou que lhes franqueassem
as portas da fortificação.

Mas mal transpuseram a muralha, os cristãos lançaram-se sobre os defensores
da cidade, tomados de surpresa, e conquistaram o castelo. Salúquia
apercebeu-se então do erro que tinha cometido e, ferida pela certeza da
morte de Bráfama, tomou as chaves da cidade e precipitou-se da torre onde se
encontrava.

Comovidos pela história de amor que os sobreviventes islâmicos lhes
contaram, os irmãos Rodrigues teriam renomeado a cidade para Terra da Moura
Salúquia. O tempo encarregar-se-ia de transformar esta designação para Terra
da Moura, até que evoluíu para a actual forma de Moura.

A uma torre de taipa do Castelo de Moura ainda hoje se chama a Torre de
Salúquia, e a um olival nas proximidades de Moura, aquele onde supostamente
teriam sido emboscados Bráfama e a sua comitiva, o povo chama Bráfama de
Aroche.

Nas armas da cidade figura, deitada no chão, uma moura morta, com uma torre
em segundo plano, numa alusão à Lenda da Moura Salúquia..
(Manuel Seleiro)

publicado por tradicional às 15:03
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A lenda da tomada de Faro aos Mouros

Zona: Faro - Faro

Parte das forças que atacaram o Castelo de Faro fora colocada no largo actualmente chamado de S. Francisco, e estas forças eram comandadas por um brioso
oficial, robusto e formoso rapaz, solteiro. Este oficial pôde ver em certa ocasião a formosa e gentil filha do governador mouro e dela ficou enamorado.
[...] Em certo dia conseguiu o oficial que a sua namorada o recebesse em curto rendez-vous dentro do castelo, combinando-se que o mouro intermediário lhe
abrisse, alta noite, a porta, hoje da Senhora do Repouso.
[...] À hora marcada entrou o oficial no castelo e aí em doce colóquio se entreteve com a dama dos seus encantos. À hora de sair, acompanhou ela o seu querido
namorado até à porta do castelo, levando consigo um irmão, criança de oito anos.
Quando se aproximaram da porta, disse-lhes o escravo, que da parte de fora estava muita gente, pois que mais de uma vez lhes chegavam aos ouvidos vozes
abafadas.
[..] O oficial, segurando nos braços a moura gentil, viu-se em eminente perigo. Avançou para fora com a moura e, quase ao transpôr a porta, hoje conhecida
pela Senhora do Repouso, notou que tinha nos braços não uma formosa jovem, mas apenas uns farrapos, que se desfaziam à mais pequena e leve aragem.
Olhou para o lado pela criancinha e não a viu. Então teve a profunda e tristíssima compreensão da sua desgraça. Caiu no chão sem sentidos.
[...] Nesse momento acudiram as forças do Mestre e de D. João de Aboim e os mouros tinham sido forçados a entregar o castelo, mediante uma avença com o
Rei D. Afonso.
O oficial [...] dirigiu-se à porta do castelo. Ao entrar pelo Arco da Senhora do Repouso viu ao lado esquerdo a cabeça de uma criança que se assomava por
um buraco.
- O que fazes aí, menino? perguntou o oficial, conhecendo o irmão da sua namorada.
- Estamos aqui encantados: eu e a minha irmã.
- Quem vos encantou?
- O nosso pai. Soube por uma espia que levavas nos braços a minha irmã acompanhada por mim e, invocando Allah, encantou-nos aqui no momento em que transpunhas
a porta. Por atraiçoarmos a santa causa do nosso Allah aqui ficaremos encantados.
- Por muito tempo?
-Enquanto o mundo for mundo.

publicado por tradicional às 14:59
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A lenda da sempre-noiva

Zona: Arraiolos - Évora - Portugal
 

Perto de Arraiolos, ergue-se um belo solar construído entre os séculos XV e XVI, que tem o nome romântico de Solar da Sempre-Noiva.
A maioria dos monumentos desta época que ainda se encontram de pé são monumentos religiosos, como igrejas e conventos, ou então monumentos militares, como
fortes e muralhas. Este solar, embora em ruínas, é precioso, pois é uma das poucas casa em estilo manuelino que não desapareceu. Conserva ainda elegantes
janelas com arcos de ferradura e uma arcaria a que se dá o nome de galilé.
A lenda da Sempre-Noiva está associada a esta propriedade, muito antes de existir o solar.
Contam-se pelo menos três histórias com este nome!
 
A primeira sempre-noiva
 
Curiosamente, esta primeira lenda junta na mesma narrativa as duas tradições de Arraiolos, precisamente os tapetes e a Sempre-Noiva...
Ao que parece, no tempo das lutas entre cristãos e mouros, vivia ali uma donzela que ficou noiva em má altura pois no dia do casamento a vila foi atacada
e o noivo teve de partir para o combate.
Nesse tempo as guerras prolongavam-se por tempos infinitos e, não raro, mal acabava uma começava outra!
 
Assim, quando passado muitos anos o rapaz voltou e quis casar, a noiva, contristada por ter perdido a beleza da juventude, demorou a aparecer! E quando
os convidados já desesperavam que o casamento se efectuasse, ela apresentou-se coberta com um tapete para ocultar as «marcas do tempo».
 
A segunda sempre-noiva
 
A segunda Sempre-Noiva chamava-se Beatriz e era filha de D. Álvaro de Castro, irmão da malograda Inês de Castro e primeiro conde de Arraiolos.
Beatriz era uma jovem de fulgurante beleza, não admira pois que um castelhano chamado Afonso de Trastâmara se apaixonasse por ela.
 
Mas estes foram tempos conturbados! Portugal estava em guerra com Castela. Corria o ano de 1384, Lisboa estava cercada pelos espanhóis. O trono estava vago,
e era o mestre de Avis quem comandava a resistência dentro da cidade. Beatriz encontrava-se também em Lisboa e, por qualquer motivo obscuro, o mestre de
Avis suspendeu as hostilidades, deixou entrar um nobre espanhol chamado D. Pedro Álvares de Lara e casou-a com ele. Esta festa deve ter parecido bastante
bizarra aos olhos do povo, que dentro das muralhas sofria os tormentos da guerra!
 
Mas visto que decorreram seiscentos anos sobre o incidente,torna-se difícil ajuizar sobre os motivos que levaram as pessoas a proceder assim.
De qualquer forma, o casamento não chegou a consumar-se porque o noivo, regressando com Beatriz ao acampamento dos espanhóis, morreu de peste.
Afonso de Trastâmara recuperou a esperança de casar com a sua amada, mas morreu quando pelejava valentemente para a impressionar.
 
Depois da luta acabadas e de o mestre de Avis subir ao trono, Beatriz voltou a viver em Portugal e o rei lembrou-se de a dar em casamento a D. Nuno Álvares
Pereira, que tinha ficado viúvo e a quem tinha sido dado o título de segundo conde de arraiolos. Mas ele recusou.
 
E consta que o rei, conversando com ela longamente a fim de encontrar marido que lhe conviesse, acabou por ficar ele próprio cativo da sua beleza! Talvez
por isso, não só não voltou a escolher-lhe outro noivo como mandou matar Fernando Afonso que casou com ela secretamente. E mandou-o matar de uma forma
cruel: queimado numa fogueira armada na praça pública, para toda a gente ver.
 
A terceira sempre-noiva
 
Também se chamava Beatriz a terceira Sempre-Noiva.
Era filha de D. Afonso de Portugal, arcebispo de Évora, que era um homem cheio de iniciativa. Mandou construir vários conventos e palácios, entre os quais
este solar onde ela sempre residiu.
Esta menina estava noiva de um nobre espanhol, muito vaidoso mas muito medroso também!
 
Certo dia, passeando com ele pelos campos, surgiu um toiro tresmalhado que correu para eles. Em vez de a defender, o noivo fugiu a sete pés e foi o maioral
quem veio garbosamente em seu socorro. Esporeou o cavalo e conseguiu arrebatá-la no último instante! Conduziu-a depois na garupa até casa, e desse abraço
ela não se libertou mais. Apaixonara-se irremediavelmente pelo seu salvador.
 
Mas nesse tempo uma menina nobre não podia casar com o seu criado... Beatriz preferiu ficar solteira toda a vida, rejeitando com indiferença os mais ilustres
pretendentes.
 
 (Carla)
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A Inês Negra

Esta história teve lugar em 1388, no início do reinado de D. João I, em que se travou uma guerra contra Castela pela independência de Portugal. Esta contenda,
em que sobressaíram os feitos do Condestável Nuno Álvares Pereira e de muitos nobres portugueses, dividiu a aristocracia e o povo português, tomando muitas
terras o partido de Castela. Foi durante esta guerra civil que a Inês Negra, uma mulher do povo fiel à causa portuguesa, abandonou Melgaço quando esta
cidade se pôs ao lado do rei de Castela. Quando D. João I decidiu reconquistar Melgaço, Inês Negra juntou-se ao seu exército, mas as duas facções nunca
chegaram a defrontar-se. A batalha travou-se entre Inês Negra e uma sua inimiga de longa data, a "Arrenegada", que tinha optado por apoiar os castelhanos.
A lenda diz que a "Arrenegada" desafiou Inês Negra do alto das muralhas, propondo que a contenda fosse resolvida entre ambas com o acordo do exército castelhano.
D. João I assistiu espantado à resposta de Inês Negra que dizia aceitar o desafio. Ambos os exércitos concordaram com este duelo e a Inês Negra, de espada
na mão, defrontou a sua inimiga apoiada pelos gritos de incitamento dos homens de D. João I. O silêncio instalou-se quando a "Arrenegada" fez saltar com
um golpe a espada das mãos de Inês, mas esta tirou uma forquilha da mão de um camponês e fez-se à luta, procurando atingir a "Arrenegada" nas pernas. Sentindo-se
em desvantagem, esta atirou fora a espada e pegou num varapau que quebrou com fúria nas costas de Inês. Louca de fúria e de dor, Inês Negra largou a forquilha
e atirou-se com unhas e dentes à sua oponente, rolando ambas no chão empoeirado. Um grito de dor gelou a assistência, que não conseguia perceber qual das
duas vencera. Foi então que a "Arrenegada" se levantou e fugiu para o castelo, tapando as nódoas e o sangue do rosto com as mãos. Os castelhanos abandonaram
Melgaço no dia seguinte e D. João I quis recompensar a heroína, mas esta respondeu que estava plenamente recompensada pela sova que tinha dado à sua inimiga.
(Carla)
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LENDAS DO ARCO-DA- VELHA

 

 

 

A lenda dos três rios

 

Era uma vez três rios que nasceram em Espanha. Chamavam-se Douro, Tejo e
Guadiana. Estavam um dia a contemplar as nuvens e perguntaram-lhes de onde
vinham.
- Do mar - responderam as nuvens. - Ele é o vosso pai.
- Onde fica o mar? - perguntaram os rios.
- Lá longe, em Portugal - responderam as nuvens.
- É grande? - perguntaram os rios.
- É, é muito grande - responderam as nuvens
- Havemos de ir ver o mar - disseram os rios.
E combinaram que no dia seguinte iriam os três ver o mar. Assim fizeram.
O Guadiana acordou primeiro e lá foi calmamente, contemplando os montes e as
belezas que o espreitavam, e escolhendo os caminhos por onde passava, ao
chegar a Vila Real de Santo António parou maravilhado.
O segundo foi o Tejo. Quando acordou já o sol ia alto. Começou a andar
depressa, quase não escolhendo caminho, mas, quando entrou em Portugal,
pensou lá consigo que já deveria ter muito avanço e lembrou-se de gozar as
campinas e os montes, espreguiçando-se nas margens planas, antes de se
lançar nos braços do pai.
O Douro, quando acordou e se viu só, nem esfregou os olhos. Partiu à pressa
por desfiladeiros e precipícios, não escolhendo caminho, nem pensando em
gozar a natureza. Assim foi ele que, muito sujo e enlameado, chegou em
primeiro lugar.
E assim, com essa lenda contamos um pouco da história dos nossos três rios
mais importantes. Cada um tendo características diferentes.

 

 

 

o lobisomem

 

Diz a lenda que quando uma mulher tem 7 filhas e o oitavo filho é homem, esse menino será um Lobisomem. Também o será, o filho de mulher amancebada com

um Padre.

Sempre pálido, magro e orelhas compridas, o menino nasce normal. Porém, logo que ele completa 13 anos, a maldição começa.

Na primeira noite de terça ou sexta-feira, depois do aniversário, ele sai à noite e vai até um encruzilhada. Ali, no silêncio da noite, se transforma em

Lobisomem pela primeira vez, e uiva para a lua.

 

Daí em diante, toda terça ou sexta-feira, ele corre pelas ruas ou estradas desertas com uma matilha de cachorros latindo atrás. Nessa noite, ele visita,

7 partes da região, 7 pátios de igreja, 7 vilas e 7 encruzilhadas. Por onde passa, açoita os cachorros e apaga as luzes das ruas e das casas, enquanto

uiva de forma horripilante.

 

Antes do Sol nascer, quando o galo canta, o Lobisomem volta ao mesmo lugar de onde partiu e se transforma outra vez em homem. Quem estiver no caminho do

Lobisomem, nessas noites, deve rezar três Ave-Marias para se proteger.

 

Para quebrar o encanto, é preciso chegar bem perto, sem que ele perceba, e bater forte em sua cabeça. Se uma gota de sangue do Lobisomem atingir a pessoa,

ela também vira Lobisomem.

 

 

mandioca.jpg (15911 bytes)

Ilustração: Antônio Elielson Sousa da Rocha

 

Em uma certa tribo indígena a filha do cacique ficou grávida.

Quando o cacique soube deste fato ficou muito triste, pois sonhava que a sua filha iria se casar com um forte e ilustre guerreiro, no entanto, ela estava

esperando um filho de um desconhecido.

À noite, o cacique sonhou que um homem branco aparecia em sua frente e dizia para que ele não ficasse triste, pois sua filha não o enganará, ela continuava

sendo pura. A partir deste dia o cacique voltou a ser alegre e a tratar bem sua filha.

Algumas luas se passaram e a índia deu a luz a uma linda menina de pele muito branca e delicada, que recebeu o nome de MANI.

Mani era uma criança muito inteligente e alegre, sendo muito querida por todos da tribo. Um dia, em uma manhã ensolarada, Mani não acordou cedo como de

costume. Sua mãe foi acordá-la e a encontrou morta.

A índia desesperada resolveu enterrá-la dentro da maloca.

Todos os dias a cova de Mani era regada pelas lágrimas saudosas de sua mãe.

Um dia quando a mãe de Mani foi até a cova para regá-la novamente com suas lágrimas, percebeu que uma bela planta havia nascido naquele local. Era uma planta

totalmente diferente das demais e desconhecida de todos os índios da floresta. A mãe de Mani começou a cuidar desta plantinha com todo carinho, até que

um dia percebeu que a terra à sua volta apresentava rachaduras.

A índia imaginou que sua filha estava voltando á vida e, cheia de esperanças, começou a cavar a terra. Em lugar de sua querida filhinha encontrou raízes

muito grossas, brancas como o leite, que vieram a tornar-se o alimento principal de todas as tribos indígenas. Em sua homenagem deram o nome de MANDIOCA,

que quer dizer Casa de Mani.

 

 

Lenda da Carrapichana

 

Lenda da Carrapichana

 

Constituindo nome ímpar, Carrapichana, conta a tradição que deve o seu nome a uma senhora, chamada Ana, figura típica e conhecida pela Carrapichana e lugares

circunvizinhos.

Conhecida pela sua voz aguda e forte de corpo, não se ficava atrás no que toca a beber. Sendo grande apreciadora de vinho, devorava de uma vez só, qualquer

copo de vinho que lhe oferecessem.

Ao darem-lhe um copo de vinho a beber, os homens incentivavam-na dizendo:

- Escorropicha esse copo, Ana! (Escorropicha designa o acto de beber).

Com o correr do tempo a terra passou a designar-se Carrapichana, por via erudita de "Escarrapicha, Ana!", para designar a terra onde " Escarrapicha Ana!"

um copo de vinho sem parar.

Num prédio da rua da Amoreira, encontra-se uma figura de pedra, que o povo chama Carrapichana, mulher que deu o nome à sua terra.

 

O vinho na mitologia

 

 

Três lendas da Cuba, Alentejo, Portugal.

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Lendas da Cuba - Alentejo

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O Poço de S. Vicente

 

Contam  que, quando S. Vicente ainda andava pelo Mundo, passou por Cuba. Nessa altura era uma terra despovoada, com muito pouca gente; as pessoas só vinham

para cá na época das vindimas e das colheitas. Como estava com sede, procurou onde beber uma gotinha de água. Encontrou uma nascente à entrada da Cuba

e bebeu da sua água. Achou-a uma maravilha, fresquinha, limpa,... mesmo boa. Gostou tanto da água que resolveu dar-lhe um dom e protagonizou :

"... Quem desta água beber, nesta terra quererá ficar ..."

E assim foi. As pessoas começaram a ficar cá e continuaram a beber a água do Poço de S. Vicente e predestinação continua.

 As pessoas que vêm a Cuba gostam tanto de cá estar que voltam sempre e muitos forasteiros têm-se radicado cá.

Dizem até que antigamente, as moças da Cuba, quando os namorados eram de fora e nunca mais se resolviam a casar, elas como quem não quer a coisa, os levavam

a beber a água do poço de S. Vicente para ver se eles não abalavam ... e ficavam, não era por causa delas, ... era a modos da água.

Dizem os naturais de Cuba que " Cuba é melhor madrasta que mãe" que todos os que cá chegam querem cá ficar, mas não é assim; o Dom que S. Vicente deu à

água é que ainda hoje faz o milagre.

lenda  contada por Mariana Rocha - (Manana Farela )

 

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Os Avejões

 

Há muitos anos ... contam os mais velhotes, ainda a Cuba quase que não tinha luz à noite e a pouca que havia nas ruas, era fornecida pela fábrica do Sr.

Borralho.

Volta e meia ouvia-se dizer  "... anda aí um Avejão..." que era uma espécie de fantasma.

As pessoas ficavam logo cheias de medo e os menos afoitos evitavam sair à noite, não fosse o caso de dar de caras com o Avejão.

Os Avejões, dizem quem os viu ou ouviu,  eram uns entrouxos muito tapados com correntes amarradas e ao andar faziam um barulho de arrepiar.

Era um meeeeedo!...

Mas depois de passar o tempo, dizia-se :

 -" Olha, já nasceu o Avejanito ! ".

( Então o que eram os Avejões? Não mais do que alguns namoros mais escondidos, que muitas vezes os pais não queriam. Então, os rapazes iam ter com as namoradas

e para que ninguém os fosse espreitar, inventaram os AVEJÕES )

 

>

A Costureirinha

 

Viveu à muitos anos na Cuba, uma mocinha, chamada Mariana. Por ser muito habilidosa e porque ganhava a vida a costurar de casa em casa para quem necessitava,

toda a gente a conhecia e tratava por Costureirinha. Ela fazia vestidos bordados, lençóis, etc., tudo à mão.

Levava uma vida sem muitas ambições, mas tinha um sonho; - ter uma máquina de costura. Trabalhava muito. Acabava os trabalhos nas casas das pessoas e depois,

quando vinha para casa, continuava a trabalhar pela noite fora para ganhar dinheiro para comprar o seu sonho; - a máquina de costura.

Trabalhou durante anos a fio, guardando numa caixinha algum dinheirito. Até que um dia, abriu o a caixinha onde guardava as suas poupanças, contou e recontou

o dinheiro e viu que era o que necessitava: três reis.

No dia seguinte, logo de manhãzinha, foi a caminho de Beja, muito feliz, para comprar a máquina.

Ela agora parecia outra, fazia obra num abrir e fechar de olhos, era como se tivesse mais pessoas a trabalharem para ela.

Passado algum tempo, houve um surto de tuberculose e a Costureirinha, também foi atacada pela doença. Ficou muito fraca e já estava desenganada dos médicos

- restava-lhe esperar que a morte a viesse buscar.

Muito triste, chorou muito. Voltou-se para a Virgem Nossa Senhora D'Aires e implorou-lhe que a curasse, que ela em troca lhe daria a máquina de costura

(que era aquilo que ela de mais valioso possuía).

E assim foi, a Costureirinha curou-se e voltou a trabalhar. Mas a máquina fazia-lhe tanta falta, que ela resolveu pedir à Virgem mil perdões, mas que só

lhe daria a máquina quando estivesse para morrer, pois era a sua única forma de ganhar o sustento.

A virgem acedeu e a Costureirinha lá continuou a fazer os seus belíssimos trabalhos.

Já muito velhinha, sentindo que já não lhe restava muito tempo e como não tinha família e já não trabalhava, pediu a um estafeta que levasse a máquina de

costura à Virgem Nossa Senhora D'Aires, porque já não se sentia capaz de fazer essa viagem.

O estafeta acedeu, mas quando ia na viagem pensou em vender a máquina; e se o pensou, melhor o fez.

Quando voltou de viagem disse à Costureirinha que tinha entregue a máquina na Igreja da Senhora D'Aires, como lhe tinha prometido.

Passado algum tempo a Costureirinha finou-se. Quando se encontrou com a Virgem, esta perguntou-lhe pela máquina de costura. A Costureirinha contou-lhe a

história toda e a Virgem perdoou-lhe a falta. Mas a Costureirinha é que que não se esqueceu da promessa por cumprir e então de tempos a tempos vem à procura

do estafeta.

Contudo, não o consegue encontrar. Então dá um sinal que é o barulho de uma máquina de costura a trabalhar, para que o estafeta ao ouvi-lo se lembre da

falta que cometeu.

E ainda hoje, à noitinha, o tic-tic-tic da máquina de costura se consegue ouvir de casa em casa.

publicado por tradicional às 14:32
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A fuga do Alcaide

Zona: Santarém - Santarém

O alcaide de Santarém conseguiu fugir, depois de D. Afonso Henriques ter entrado na vila. Diz-se que fugiu pelo Postigo de Santo Estêvão que, por isso,
se passou a chamar também Postigo da Carreira.
Partiu velozmente em direcção a Sevilha. O emir que se encontrava na Torre de Ouro, avistou-o ao longe e disse aos que o acompanhavam:
"Vêdes aquele que vem com grande pressa? É o acaide Cefrim, de Santarém. Se naquele rio der água ao cavalo, é porque a vila de Santarém foi tomada. Se não
der, é porque a vila está cercada e vem pedir-nos socorro".
O alcaide, ao chegar ao rio, deu de beber ao cavalo. O emir disse então:
"Santarém foi tomada".
Carla

publicado por tradicional às 14:00
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A fonte da Barroquinha

Zona: Leiria - Leiria

Era uma vez ... em dia já muito recuado na lonjura dos tempos, em pleno verão escaldante, o rei passava com a sua corte ali junto a Maceira.
O rei sentia os ardores da sede.
Ao passar roçando uma rocha, o poderoso rei, sem poder parara para matar a grande sede que o atormentava, gritou em desespero e tom eivado de maldição,
para os seus acompanhantes:
“Maldito cavalo que não escoicinha esta rocha até fazer água a fartar.”
Palavras não eram ditas e o cavalo real, como se tivesse compreendido a fala irada do seu dono, dá uma forte parelha de coices na rocha que fez estremecer
céu e terra.
A escoicinhadela foi tão violenta que o rei teve de se amparar com a sua espada na rocha, no mesmo sitio onde o cavalo do rei escoiçara. Mas a espada, de
fraca resistência, encontrou e furou a rocha, e, do furo aberto, jorrou água abundante e fresquinha que dessedentou o rei e toda a sua comitiva.
O povo vendo aquela fartura de água tão fresca, onde sempre tudo fora secura, começou a escavar na parte mais baixa da rocha e ali abriu uma pequena barroca,
por onde começou o jorramento do precioso líquido refrescante, que nunca mais findou e ainda hoje continua correndo onde se levantou mais tarde, a chamada
Fonte da Barroquinha.
Carla

publicado por tradicional às 13:54
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A Espada com asa

Zona: Santarém - Santarém - Portugal
 

Em 1171, Santarém foi cercada pelos muçulmanos. D. Afonso Henriques encontrava-se na vila. Apesar de já não poder montar a cavalo, quis ir combater. Para
isso, mandou preparar um carro para o levar ao campo inimigo. Os seus companheiros tentaram dissadí-lo, preocupados com a segurança do rei de Portugal.
Mas este respondeu-lhes:
 
-"Se pela ventura alguns tiverem receio, o que não cuido, fiquem na Vila, e não vão lá, que eu não poderei sofrer tanta vergonha".
 
E lá partiu para o campo de batalha. Como de costume lutou bravamente, causando muitos mortos no exército inimigo. Venceram os portugueses.
 
Depois da batalha, o rei contou que que vira, ao lado do seu braço direito, um outro braço armado e que terminava junto ao ombro com uma asa de cor púrpura.
Este braço tinha-o ajudado na luta e tinha-o defendido dos golpes do inimigo. O rei concluiu que este braço pertencia ao seu anjo custódio ou ao arcanjo
S. Miguel, visto que ele lhes tinha pedido auxílio antes de entrar na batalha. Muitos dos mouros que tinham também participado na batalha e que ficaram
cativos, afirmaram terem visto o mesmo.
 
Colaboração de:
Carla Martirez
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A Bilha de Água - Lenda da Bilha de S. Jorge

Zona: Leiria - Leiria - Portugal
 
A Batalha de Aljubarrota travou-se em 14 de Agosto de 1385 entre o exército de D. João I de Portugal e o rei de Castela, num dia de calor abrasador. A batalha
tinha sido decidida pelo rei de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, contra a vontade da maioria da nobreza e do exército. A principal razão
era a desproporção das forças: trinta mil castelhanos contra sete mil portugueses. O auxílio esperado de Inglaterra não viria a tempo de evitar um eventual
cerco à cidade de Lisboa. Era melhor morrer com honra do que a humilhação da fuga. No dia da batalha encontravam-se os exércitos frente a frente, com o
sol a queimar o ar e a sede a começar a torturar os soldados portugueses. O Condestável temia mais a sede que o exército inimigo e incumbiu Antão Vasques
de procurar água, uma tarefa difícil dada a secura dos regatos. Mas por S. Jorge tudo era possível! Antão Vasques em vão procurou água e já desesperado
desceu do cavalo e ajoelhou-se na terra poeirenta e pediu ao seu anjo da guarda o impossível. No mesmo instante, surgiu uma camponesa com uma bilha de
água que quanto mais dela se bebia mais de água se enchia como de fonte inesgotável brotasse. Uma água que saciava a sede e renovava as forças e o espírito.
Os castelhanos atacaram, certos de encontrar os soldados enfraquecidos pela espera e pela sede. Mas os sete mil portugueses aguentaram firmes e para grande
surpresa dos castelhanos ripostaram com tal valentia que estes retiraram em debandada nesse dia de vitória para Portugal. No lugar onde surgiu a jovem
camponesa mandou o Condestável erguer a capela de S. Jorge e ainda hoje lá está uma bilha de água para dar de beber a quem passe e tenha sede. S. Jorge
ficou também como padroeiro do exército protuguês.
 
 
Carla
publicado por tradicional às 13:44
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