Domingo, 25 de Junho de 2006

A Mula da Rainha Santa

A Mula da Rainha Santa
A Rainha Santa a que se refere esta lenda é D. Mafalda, a filha preferida de
D. Sancho I e a irmã favorita de D. Afonso II. A jovem princesa era bela e
perfeita como poucas e senhora de uma esmerada educação. Naquele tempo,
subiu ao trono de Castela D. Henrique, uma criança de doze anos apenas,
facilmente
manobrada pelo seu tutor, Álvaro de Lara, que queria governar através do
jovem rei. Querendo-lhe dar como esposa uma mulher que o dominasse quando
fosse
adulto, escolheu D. Mafalda e o casamento celebrou-se. D. Berengária, a mãe
de D. Henrique, invocou ao Papa a consanguinidade dos jovens e o divórcio
teve
lugar antes da súbita morte do rei aos 14 anos. D. Mafalda regressou a
Portugal virgem e assim se manteve até ao fim da sua vida, passando desde
então
a ser tratada por "rainha". Viveu os últimos anos da sua vida no Mosteiro de
Arouca, onde recebeu o hábito de monja. Morreu aos 90 anos durante uma
cobrança
de foros e rendas em Rio Tinto, cujos habitantes queriam que D. Mafalda
fosse sepultada nessa mesma terra. Mas em Arouca discordavam, porque era no
Mosteiro
que ela vivia e na sua igreja deveria repousar o seu corpo para sempre.
Estava a discórdia instalada quando alguém se lembrou de dizer que se
pusesse o
caixão em cima da mula em que a Infanta costuma viajar e para onde o animal
se dirigisse seria o local onde seria sepultada. A mula não teve dúvidas e
quando chegou à igreja do Mosteiro de Arouca, acercou-se do altar de S.
Pedro e aí morreu. O sepulcro de D. Mafalda foi duas vezes aberto no século
XVII
e tanto o seu corpo como as suas vestes estavam incorruptos. Em 1793, o Papa
Pio VI confirmou-lhe o culto com o título de beata.
Participação de:

Manuel Seleiro

publicado por tradicional às 13:37
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2006

Lenda dos Sete Ais

Esta é uma lenda estranha que está na origem do nome de um local do concelho
de Sintra e que remonta a 1147, data em que D. Afonso Henriques conquistou
Lisboa aos Mouros. Destacado para ocupar o castelo de Sintra, D. Mendo de
Paiva surpreendeu a princesa moura Anasir, que fugia com a sua aia Zuleima.
A
jovem assustada gritou um "Ai!" e quando D. Mendo mostrou intenção de não a
deixar sair, outro "Ai!" lhe saiu da garganta. Zuleima, sem lhe explicar a
razão, pediu-lhe para nunca mais soltar nenhum grito do género, mas ao ver
aproximar-se o exército cristão a jovem soltou o terceiro "Ai!". D. Mendo
decidiu
esconder a princesa e a sua aia numa casa que tinha na região e querendo
levar a jovem no seu cavalo, ameaçou-a de a separar da sua aia se ela não
acedesse
e Anasir deixou escapar o quarto "Ai!". Pouco depois de se instalar na casa,
a princesa moura apaixonou-se por D. Mendo de Paiva, retribuindo o amor do
cavaleiro cristão que em segredo a mantinha longe de todos. Um dia, a casa
começou a ser rondada por mouros e Zuleima receava que fosse o antigo noivo
de Anasir, Aben-Abed, que apesar de na fuga se ter esquecido da sua noiva,
voltava agora para castigar a sua traição. Zuleima contou a D. Mendo que uma
feiticeira lhe tinha dito que a princesa morreria ao pronunciar o sétimo
"Ai!". Entretanto, Anasir curiosa pela preocupação da aia em relação aos
seus
"Ais", exprimiu o quinto e o sexto consecutivamente, desesperando a sua aia
que continuou a não lhe revelar o segredo. D. Mendo partiu para uma batalha
e passados sete dias foi Aben-Abed que surpreendeu Anasir, que soltou o
sétimo "Ai!", ao mesmo tempo que o punhal do mouro a feria no peito.
Enlouquecido
pela dor, D. Mendo de Paiva tornou-se no mais feroz caçador de mouros do seu
tempo.

Colaboração de:

Manuel Seleiro

publicado por tradicional às 00:14
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Terça-feira, 20 de Junho de 2006

S.Tiago, o "Maior"

Em Santiago  de Compostela encontra-se o túmulo de S.Tiago, o "Maior". Ele
era um dos 12 Apóstolos de Jesus Cristo. Segundo a tradição parece que
nasceu num lugar incerto perto de Nazaré chamado Yafía. Ele era um pescador
com o seu pai e o seu irmão João, no lago de Tiberíades. No princípio da
pregação de Jesus, foi objecto de uma vocação que no ano seguinte se tornou
definitiva: Naqueles dias apareceu Jesus, o de Nazaret. Prega o "Reino de
Deus" e apresenta-se como o esperado Messias e chama alguns para O seguirem.
Assim o propôs aos irmãos Tiago e João. Eles, deixando o pai no barco com os
jornaleiros, corresponderam docilmente ao chamamento do Mestre.

Acompanharam Jesus durante os três anos da sua vida pública; alguns factos
mostram que S. Tiago era do grupo dos três mais íntimos.

Podemos dizer que o Caminho de Santiago é um símbolo. É uma via de fé; uma
via de arte e de cultura; uma via ecológica e humana; um encontro com a
transcendência; a busca de nós mesmos; uma peregrinação a Finisterra, ao
mistério morrer e renascer. É uma aventura física e espiritual e há que
estar preparado.

É Ano Jubilar Compostelano - Ano Santo - sempre que a Festa que comemora o
martírio do apóstolo S. Tiago Maior (celebrada a 25 de Julho) coincida com
um Domingo, o que sucede cada 5, 6 e 11 anos. 2004 é Ano Santo. Os próximos
serão em 2010 e 2021.

 

 

Contribuição de: Leonardo Silva

publicado por tradicional às 23:58
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DO SANTO E DO SOL CONTINUAM A ENTUSIASMAR A POPULAÇÃO

Lendas dos Penedos da Moura, do Santo e do Sol continuam a entusiasmar a
população de Lousada

Fantásticas estórias de um tesouro diabolizado e escondido no subsolo, ou de
uma santa cruel que cegou temporariamente um frade teimoso, são ainda hoje
associadas em Figueiras, Lousada, a três grandes penedos da aldeia. " Se foi
verdade não sei,mas era assim que contava o meu bisavô ", diz-se em
Figueiras, numa alusão às lendas em torno dos penedos da Moura, do Santo e
do Sol, que entusiasmam particularmente os mais idosos e a "pequenada" da
escola local. Cristiano Cardoso, um licenciado em História ao serviço do
pelouro de Património Histórico da Câmara de Lousada, estudou estas crenças
e vê nelas uma colagem de factos vagamente comprováveis a superstições
associadas ao bem e ao mal. Importa salientar que uma das crenças de
Figueiras, localidade onde terá existido uma fortificação castreja,
reporta-se a um tesouro enterrado nas imediações do penedo da Moura. Na
convicção popular, o tesouro espera ainda um candidato a novo rico e poderá
encontrar-se seguindo "determinadas rezas", explicadas no Grande Livro de
São Cipriano, uma espécie de enciclopédia das bruxarias. A 50 escassos
metros do penedo da Moura, no alto da Rainha, ergue-se, imponente, o penedo
do Santo, numa provável homenagem a São Bartolomeu, "roubado" a Figueiras
"pelos de Penafiel", onde ainda hoje é venerado. O penedo funcionou, durante
decénios, como local de pagamento de promessas, sendo que quem curasse as
suas maleitas, obrigava-se a colocar no afloramento rochoso um púcaro
contendo água, pão e sardinhas, estas como símbolo da doença. Tal como o
penedo da Moura, também o do Santo terá sido mutilado, em altura não
determinada, por pedreiros em busca de matéria-prima gratuita. Neste caso, o
prejuízo terá sido bem maior, já que terão destruído o que o povo designava
por "pegadas do santo", mas que Cristiano Cardoso diz terem sido gravuras
rupestres. A história e as estórias em torno dos penedos de Figueiras
fecham-se na casa senhorial de Rio de Moinhos, com um penedo pontiagudo com
uma cruz no topo. Trata-se do penedo do Sol, que desde o século XVI associam
a uma homenagem ao astro-rei, à luz, à visão e à suposta aparição no local
de uma imagem de Santa Luzia.

 

 

Contribuição de: Leonardo Silva

publicado por tradicional às 23:51
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O cavaleiro Henrique

Nos primeiros tempos da Reconquista, cerca de treze mil cruzados vieram de
toda a Europa para auxiliar D. Afonso Henriques na Reconquista aos Mouros.
Entre
os muitos que pereceram e que foram considerados mártires, houve um
cavaleiro chamado Henrique, originário de Bona, que morreu na conquista de
Lisboa e
que foi sepultado na Igreja de S. Vicente de Fora. À memória do Cavaleiro
Henrique estão associados muitos milagres, um dos quais deixou vestígios no
nome
de uma rua de Lisboa.

A lenda diz que logo que Henrique foi sepultado, dois dos seus companheiros,
ambos cavaleiros surdos e mudos de nascença, vieram deitar-se sobre o seu
túmulo
de forma a que Henrique intercedesse junto de Deus pela sua cura. Em sonhos,
Henrique disse-lhes que Deus os tinha curado e quando acordaram verificaram
o milagre. Pouco tempo depois, morreu um escudeiro de Henrique dos
ferimentos que tinha sofrido na conquista de Lisboa e foi sepultado na
Igreja de S.
Vicente, mas longe do túmulo do seu amo. O cavaleiro Henrique apareceu em
sonhos ao sacristão da igreja e disse-lhe que queria o corpo do escudeiro
junto
de si. O sacristão não ligou importância ao sonho, nem quando este se
repetiu no dia seguinte. Na terceira noite, Henrique, novamente em sonhos,
falou-lhe
tão irritado com a sua indiferença que o sacristão acordou imediatamente e
passou todo o resto da noite a cumprir as suas indicações. Pela manhã e
apesar
de ter passado toda a noite naquele trabalho, encontrava-se descansado como
se tivesse dormido toda a noite. A novidade espalhou-se e os feitos do
Cavaleiro
Henrique continuaram: segundo a lenda, cresceu uma palma no seu túmulo cujas
folhas curavam os males de todos os peregrinos que ali acorriam. Um dia a
palma foi roubada mas ficou para sempre na memória do povo através do nome
de uma rua, a da Palma, na baixa de Lisboa.

 

 

Colaboração de:

Manuel Seleiro

publicado por tradicional às 23:32
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