Domingo, 30 de Julho de 2006

Lenda do Milagre de Ourique

A Batalha de Ourique é um episódio simbólico para a monarquia portuguesa,
pois conta-se que foi nela que D. Afonso Henriques foi pela primeira vez
aclamado
rei de Portugal, em 25 de Julho de 1139. Foi no campo de Ourique que se
defrontaram o exército cristão e os cinco reis mouros de Sevilha, Badajoz,
Elvas,
Évora e Beja e os seus guerreiros, que ocupavam o sul da península. A lenda
conta que um pouco antes da batalha, D. Afonso Henriques foi visitado por um
velho homem que o rei já tinha visto em sonhos e que lhe fez uma revelação
profética de vitória. Contou-lhe ainda que "sem dúvida Ele pôs sobre vós e
sobre
a vossa geração os olhos da Sua Misericórdia, até à décima sexta
descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída,
Ele tornará
a pôr os olhos e verá." O rei deveria ainda, na noite seguinte, sair do
acampamento sozinho logo que ouvisse a sineta da ermida onde o velho vivia,
o que
aconteceu. O rei foi surpreendido por um raio de luz que progressivamente
iluminou tudo em seu redor, deixando-o distinguir aos poucos o Sinal da Cruz
e Jesus Cristo crucificado. O rei emocionado ajoelhou-se e ouviu a voz do
Senhor que lhe prometeu a vitória naquela e em outras batalhas: por
intermédio
do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria o Seu império através do qual
o Seu Nome seria levado às nações mais estranhas e que teria para o povo
português
grandes desígnios e tarefas. D. Afonso Henriques voltou confiante para o
acampamento e, no dia seguinte, perante a coragem dos portugueses os mouros
fugiram,
sendo perseguidos e completamente dizimados. Conforme reza a lenda, D.
Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ter cinco
escudos
ou quinas em cruz representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de
cristo, carregadas com os trinta dinheiros de Judas.
A Morte do Lidador Num dia longínquo de 1170, Gonçalo Mendes da Maia,
nomeado Lidador pelas muitas batalhas travadas e ganhas contra os Mouros,
decidiu
celebrar os seus 95 anos com um ataque ao famoso mouro Almoleimar. Da cidade
de Beja saiu o Lidador naquela manhã com trinta cavaleiros fidalgos e
trezentos
homens de armas, sabendo de antemão que o exército de Almoleimar era muitas
vezes superior. Perto do meio-dia, pararam os cavaleiros para descansar
perto
de um bosque onde emboscados aguardavam os mouros. A primeira seta feriu de
morte um guerreiro português, o que fez com que o exército cristão se
pusesse
em guarda. Frente a frente se mediam a destreza e perícia árabes, invocando
Allah, e a rudeza e força cristãs, clamando por Santiago. A batalha começou
e ambos os exércitos se debateram com coragem, até que num dado momento
Gonçalo Mendes e Almoleimar cruzaram espadas em cima dos seus cavalos. Um
dos vários
golpes desferidos atingiu Gonçalo Mendes que, mesmo ferido, atacou com raiva
Almoleimar, que ripostou. O resultado foram dois golpes fatais, um dos quais
matou o mouro e outro que deixou Gonçalo Mendes Maia ferido de morte. O
Lidador, moribundo, perseguiu com os seus homens os mouros que debandavam em
fuga
até que o esforço de um último golpe sobre um cavaleiro árabe lhe agravou os
ferimentos. O Lidador caiu morto na terra juncada de mais de mil corpos
inimigos.
Os cerca de sessenta cristãos sobreviventes celebraram com lágrimas esta
última vitória do Lidador. Um sacerdote templário disse em voz baixa as
palavras
do Livro da Sabedoria: "As almas dos justos estão na mão de Deus e não os
afligirá o tormento da morte".
publicado por tradicional às 17:30
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Lenda da Nossa Senhora de Vagos

A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre,
pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora
de Vagos cheia de história e tradição. Consta que antes do actual santuário,
existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma
parede
bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por
densa floresta mas de fácil acesso. Tradições antigas com várias lendas à
mistura,
dizem que perto da praia da Vagueira naufragou um navio francês dentro do
qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e
esconder
debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal.
Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o
sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde
tinham
colocado a imagem, mas nada encontrou. Dizem uns que Nossa Senhora apareceu
a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou
construir
uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando
se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a
imagem,
mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os
peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia. Mas
parece que
a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze.
O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que
se lhe atribuem. Entre eles consta a cura de um leproso, Estevão Coelho,
fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário. Ao
sentir-se
curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na
ermida, vindo a falecer em 1515. É deste Estevão Coelho, que conta a lenda
ter quatro
vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova
Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro
vezes se
ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva. Só à quarta vez
se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e
que
as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu
devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os
ossos
daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita. Supõe-se que ainda
hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho.
Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente
áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava há
mais
de quatro anos. A miséria e a fome alastrou de tal maneira por aquela região
que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva
caísse. Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino
tocar para os lados do Mar de Vagos. Toda a gente tomou esse rumo. Chegados
à
Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as
suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu. Em face de tão
grandioso
milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de
peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro,
géneros, etc.
... Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor. Ainda
hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no
largo da Nossa Senhora de Vagos.

Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remota
ao século dezassete, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se
recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde. Hoje,
já não existem vestígios dessas habitações.
(Colaboração de M. Seleiro)

publicado por tradicional às 17:16
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Sábado, 22 de Julho de 2006

AMOR E CEGOVIM

Era uma vez ... fazia o Senhor Rei D. Dinis e a sua Santa mulher, a Rainha
Isabel, uma mais demorada pousada em Leiria, talvez para descansar dos
muitos
afazeres do seu alto cargo.

Um dia, o Rei passeando no seu fogoso corcel, galopou, galopou, campos fora,
e, lá longe, num pequeno lugar vê uma camponesa formosa como nenhuma outra
se vira ainda em muitas léguas ao derredor.

Apaixonou-se o Rei pela camponesa e ali, naquele lugar, no meio do campo
florido de papoilas e malmequeres, nasceu naquele dia um grande amor.

As visitas do Rei ao seu grande amor continuaram e tornaram-se conhecidas
nas redondezas, e, àquele lugar começaram a chamar Amor.

Também a Rainha soube dos novos amores do seu marido e Rei e, para lhe
mostrar a sua reprovação sem o melindrar, mandou uma noite alumiar o caminho
por
onde o Rei, seu esposo, deveria regressar a Leiria.

D. Dinis, ao dar com as veredas, por onde voltava, com grande alumiação, de
muitos fogachos, viu estar ali uma muda intenção crítica da Rainha, e
exclamou:
"Até aqui cego vim!"

E o sitio onde começavam as iluminarias passou a chamar-se "Cegovim", que,
por uma natural corruptela popular se chama hoje Cegodim.

Cumprimentos

(Por M. Seleiro)

publicado por tradicional às 02:15
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a Lenda da Porta da Traição

Numa noite sem luar, cercava o exército de D. Afonso Henriques a fortaleza
de Óbidos onde os mouros resistiam já há cerca de dois meses. D. Afonso
Henriques
e Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, tinham decidido que o ataque seria
realizado na madrugada do dia seguinte antes de se retirarem para as suas
tendas.
Dormia já o Lidador quando foi acordado por uma voz de mulher que lhe pedia
para ser conduzida à tenda do rei de Portugal, pois tinha algo de importante
a comunicar-lhe. A jovem vivia no castelo dos mouros mas não sabia se era
moura porque nunca tinha conhecido os seus pais. Temendo uma cilada dos
mouros,
foi com alguma relutância que o Lidador a conduziu à presença do rei,
perante o qual a jovem revelou o sonho que se repetia há três noites. Neste
sonho,
aparecia-lhe um homem novo de barbas castanhas e olhar doce que a incumbiu
de transmitir uma mensagem para o rei de Portugal: o rei deveria reunir os
soldados
e liderá-los num ataque surpresa na parte fronteiriça do castelo, enquanto
que o Lidador se deveria dirigir com dez homens às traseiras onde a jovem
donzela
abriria uma porta para os deixar passar. O homem de olhar doce prometia
Óbidos aos cristãos e a salvação à jovem donzela. Apesar da hesitação do
Lidador,
D. Afonso Henriques já não se atrevia a duvidar dos desígnios divinos após o
Milagre de Ourique. Na manhã seguinte, Óbidos foi conquistada conforme o
sonho
da misteriosa jovem que nunca mais foi vista. A porta que franqueou a
entrada dos cristãos ficou para sempre conhecida como a Porta da Traição.

(De M. Seleiro em: tradicional@googlegroups.com)

publicado por tradicional às 02:11
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SANTA IRIA

SANTA IRIA
Era uma vez ... ali para os lados da Torre havia um lugar chamado de
Magueixa.

Lá viviam Emírgio e a sua mulher Eugénia Magueixa, assim apelidada por ter
nascido naquele pequeno lugar.

Como eram muito trabalhadores e económicos, juntaram uns dinheiros e
construíram uma casa a que o povo passou a chamar a Torre da Magueixa, em
lembrança
do nome da mulher do Emírgio.

Tempos depois nasceu naquela casa uma menina a quem seus pais puseram o nome
de Iria.

Passaram os anos da infância de Iria. E, um dia, os pais mandaram-na para um
recolhimento de uma terra chamada Nabância - é hoje a cidade de Tomar - onde
viviam duas tias de Iria, irmãs do pai Emírgio, que se chamavam Casta e
Júlia.

Em Nabância também vivia um outro parente de Iria, que era abade dos
religiosos de S. Bento e que recomendou Iria a um santo monge chamado
Remígio.

Iria mostrara sempre uma profunda Fé, uma devoção total, e, por isso, muito
bondosa e caridosa, começou a tornar-se notada pelos seus sentimentos
cristãos.

Tão profundamente sentia a Verdade pregada por Cristo que procurava a
clausura para melhor se sentir junto de Deus, e só saía no dia de S. Pedro
para ir
rezar na Igreja deste Apóstolo.

Por aquele tempo vivia em Nabância um jovem chamado Bristaldo, filho do
Governador, que ao ver na Igreja de S. Pedro a Iria, muito linda, muito
formosa,
se apaixonou por ela.

A paixão de Britaldo foi tão forte que adoeceu gravemente.

Iria, por inspiração divina, soube da doença do rapaz e da razão que a
provocara e, por caridade, foi visitá-lo, desenganando-o dos seus desejos de
se casar
com ela. Então Britaldo pediu a Iria que nunca casasse nem amasse a outro
rapaz, o que Iria prometeu imediatamente. Com esta promessa tão prontamente
feita,
o filho do Governador sentiu-se logo melhor.

Mas ... o bom Monge Remígio, a cujos cuidados Iria havido sido entregue,
começou a sentir-se apaixonado pela linda Iria e a tentá-la.

Iria não aceitou as tentações do Monge Remígio, o que levou este a tramar
uma vingança contra a doce e inocente Iria. E a vingança consumou-se.

O monge, que tinha muito de sábio, preparou uma beberagem com ervas, que
conhecia, e que provocou a inchação do ventre, dando a aparência de uma
falta.

Iria bebeu a tisana de boa fé. E o ventre de Iria começou a inchar, e quanto
mais os dias corriam mais ele se avolumava e mais a sua fama de Santa
desaparecia.

Todas passaram a duvidar da pureza e da virtude de Iria. Britaldo, o jovem
filho do Governador, ao saber o que constava e julgando que Iria faltara à
sua
promessa, jurou vingar-se e ordenou a um dos seus familiares que a fosse
matar.

E o familiar matou Iria, no dia 20 de Outubro de 653, degolando-a, quando
Iria, sempre pura e inocente, estava ajoelhada e de mãos postas a rezar, à
beira
do rio Nabão, que passava junto ao Convento onde estava Iria. E o corpo foi
rio abaixo.

No mesmo momento Célio, também tio de Iria, por revelação de Deus, sentiu a
trama de Remígio e conheceu o sítio onde estava o corpo de Iria. E tudo
revelou
ao povo que, cheio de dó e reconhecendo a inocência e a pureza de Iria, deu
graças a Deus e foi buscar, em solene procissão, à baixa de Santarém chamada
ribeira, o corpo de Iria.

Ali chegados deu-se o grande milagre de se abrirem as águas do Tejo, na
margem, até onde estava o corpo imaculado da Santa, sobre um túmulo feito
pelas
mãos diáfanas dos Anjos.

Era o desejo de seus conterrâneos levar o corpo de Santa Iria, mas ninguém o
pôde fazer. Ninguém o movia. Apenas lhe levaram, para recordação, alguns
cabelos
e pedaços do pano da camisa que milagrosamente serviram para tratamento de
cegos e aleijados no Convento de Santa Iria.

Muitos milagres, segundo dizem, se devem a esta Santa, que séculos mais
tarde, teve a visita de outra Santa, a Rainha Santa Isabel.

E na Torre, na terra que a viu nascer, ainda hoje existe uma capela da
invocação de Santa Iria que, segundo a tradição oral, foi construída no
mesmo sitio
onde esteve edificada a casa onde Ela nasceu.

(M. Seleiro, postou em: tradicional@googles

publicado por tradicional às 02:07
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A Princesa Zara

Era uma vez ... nos tempos já muito distantes do Rei Afonso, que do norte
vinha para o Sul, conquistando terras e mais terras que estavam na posse da
moirama,
chegou ele às proximidades de Leiria cuja terra conquistou também.

Aqui construiu um castelo rouqueiro, que entregou à guarda dos seus
guerreiros, abalando à conquista de mais terras, a construir um Portugal
maior.

Os mouros sabendo do castelo pouco guardado, voltaram e, após uma luta
porfiada, venceram os guardas do castelo e tomaram-no.

Passou a ser por essa altura, seu guardião, um velho mouro que vivia com sua
filha, uma linda moura de olhos esmeraldinos e louros cabelos entrançados,
chamada Zara.

Um dia, já o sol se escondia no horizonte sob nuvens acobreadas, a linda
moura, estava à janela do castelo voltada ao Arrabalde, a pentear os cabelos
encanecidos
de seu velho pai, quando viu ao longe uma coisa que lhe pareceu estranha,
mesmo muito estranha.

Que viu a linda princesa castelã, de olhos verdes de esmeralda?

Viu o mato a deslocar-se de um lado para o outro e também em direcção do
castelo.

Foi então que a linda princesa castelã perguntou ao seu velho pai:
"Oh! Pai, o mato anda?" Ao que o pai da linda princesa, respondeu:
"Anda, sim, minha filha, se o levam."

E o mato era levado, sim, mas pelos guerreiros cristãos do Rei Afonso, que
se escondiam atrás de paveias de mato que cortaram e ajuntaram para
avançarem
para o castelo sem serem vistos.

E avançaram, avançaram cautelosamente, até que já próximo da porta chamada
da traição, correram, passaram-na lestamente e conquistaram o castelo.

Nunca mais se soube da linda princesa de olhos verdes, nem de seu velho pai,
que era o Governador, mas, a partir desse dia, Portugal ficou maior.

(Postagem de M. Seleiro em: tradicional@googlegroups.com)

 

publicado por tradicional às 02:04
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O PAJEM INVEJOSO

O PAJEM INVEJOSO
Era uma vez ... estavam D. Dinis e sua mulher, a Rainha Santa Isabel, a
estanciar em Monte Real, o que faziam sempre que era possível.

Certo dia, foi o Rei galopar, campos fora, levando consigo um pagem que
tinha inveja de um outro pajem que era muito valoroso e estimado.

Num abrandamento da corrida que fizeram o moço fidalgo invejoso disse ao rei
que o outro pajem estava apaixonado pela Rainha.

O Rei Lavrador acreditou na palavra do seu acompanhante e vendo, donde
estavam, um forno de cozer cal a arder com enormes labaredas, imediatamente
combinou
com o forneiro de que, no dia seguinte, um pajem o iria procurar e lhe diria
que ia para cumprir as ordens do seu Rei e Senhor.

Logo que tais palavras dissesse o deitasse ao forno, pois que assim convinha
ao seu serviço.

Mas ... como o nosso bom povo diz: "o homem põe e Deus dispõe."

O Rei mandou o pajem, vítima inocente da intriga do colega invejoso, ir ter
com o forneiro.

Este pajem, porém, que além, de destemido e considerado, era um homem justo
e temente a Deus, ao passar por uma capelinha onde se dizia missa entrou e
cumpriu
os preceitos de bom religioso. E ali se demorou um bom pedaço.

O pajem invejoso, ansiando por saber se as ordens do Rei já estavam
cumpridas tão fielmente como haviam sido dadas, não teve mão na sua maldade
e meteu
a galope em direcção ao forno para saber se as ordens do Rei seu Senhor,
estavam cumpridas.

Palavras não eram ditas e o forneiro e os seus ajudantes agarraram no pajem
invejoso e ... forno com ele.

E assim morreu queimado um invejoso e intriguista.

Cumprimentos

(Postagem de M. Seleiro em: tradicional@googlegroups.com)

 

publicado por tradicional às 01:44
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O MILAGRE DAS ROSAS

Era uma vez ... vivia o Rei D. Dinis com a Rainha Santa Isabel, no Castelo
de Leiria.

A Rainha tinha mandado fazer a igreja de Nossa Senhora da Penha, lá no
Castelo, onde moravam, na qual trabalhavam muitos alvanéis.
Santa Isabel, que era muito caridosa e dava muitas esmolas aos pobres, o que
às vezes contrariava o Rei, que era bom administrador do reino e da sua
fazenda,
tanto mais que as esmolas da sua mulher eram grandes e repetitivas.
Um dia, levava a Rainha, numa abada do seu manto, grande quantidade de pães
para distribuir pelos mais pobres, quando lhe apareceu, de surpresa, seu
marido
e Rei, que conhecendo demasiado bem o espírito de bem-fazer da Rainha e
calculando o que ela levava na aba do seu manto, lhe perguntou:
"Que levais aí, Senhora?"

Ao que a Rainha Santa lhe responde:
"Rosas, Senhor!"

E a Santa Rainha abrindo o manto em que levava os pães destinados aos
pobres, deixou-os cair já transformadas em lindas rosas, frescas e viçosas.

O Rei seguiu seu caminho, sorrindo contente e a Rainha ficou mais contente
ainda.

Cumprimentos

(Postagem de M. Seleiro em: tradicional@googlegroups.com)

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LENDA DO VINHO DO PORTO

No outono de 1679, um barco com um carregamento de vinho do porto
largou a cidade do Porto com destino a Londres.
O que nessa época era frequente, a meio da viagem, foi atacado por um
corsário francês a custo do qual conseguiu escapar, navegando para o
alto mar.
Acossado por violenta tempestade, afastou-se imenso da sua rota pelo
que o capitão tomou a decisão de ir fundear em S. João da Terra Nova
para reabastecimento e repouso da tripulação.
Impossibilitados de prosseguir viagem devido ao rigor do inverno, só
na primavera seguinte se fizeram de novo ao mar. Finalmente, chegados
a Londres, constataram, com natural espanto, que a prolongada estadia
na Terra Nova tinha dado ao vinho um aroma e um sabor agradavelmente
diferentes.
Desde então, a companhia proprietária do carregamento passou a enviar
anualmente grandes quantidades de vinho para envelhecer na Terra Nova.
Assim surgiu este celebrado porto e esta espantosa lenda perpectuada
nos rótulos das garrafas dos portos Newman's.

FONTE: Letras e Estudos Luso-Canadianos

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Lenda da Serra do Nó

A lenda do Castelo da Serra do Nó, perto de Viana de Castelo, é do
tempo em que os mouros dominavam aquela região sob o comando de
Abakir, que tinha fama de conquistador de terras e de mulheres. O seu
castelo, mesmo no topo da serra do Nó, era dos mais ricos do mundo,
dizia-se. Um dia, quando regressava a casa após mais uma batalha bem
sucedida, Abakir viu uma linda pastora por quem se apaixonou
imediatamente. No dia seguinte, habituado que estava a que nada nem
ninguém lhe resistisse, o rei mouro mandou que a trouxessem à sua
presença e disse-lhe que queria que ela ficasse ali a viver com ele
para sempre. Conhecendo a reputação de Abakir, a jovem pastora assumiu
o porte altivo de uma princesa e tudo recusou. Abakir enfureceu-se e
mandou-a prender na torre do castelo até que a jovem pastora lhe
pedisse perdão por ter ousado afrontá-lo com uma recusa. Mas ela nunca
o fez e, um dia, Abakir cedeu e ofereceu-lhe o seu amor incondicional.
A pastora então disse-lhe que o aceitaria sob a condição de Abakir se
afastar de todas as outras mulheres e nunca mais pensasse noutra que
não ela. Abakir prometeu e a bela pastora entregou-se-lhe naquela
noite. Viveram felizes até que um dia a ameaça dos exércitos cristãos
se fez sentir. Abakir reuniu os seus súbditos e aconselhou-os a fugir.
Informou-os ainda que ficaria sozinho no castelo até ao fim e a única
voz que se fez sentir foi a da linda pastora que afirmou que ficaria
também. Abakir sorriu. Não esperava outra coisa da sua princesa.
Sozinhos no castelo viveram ainda algum tempo felizes, aproveitando os
últimos momentos de um grande amor. Quando se ouviam já os gritos de
vitória dos cristãos, Abakir abraçou a sua amada, pegou no Corão,
sussurrou umas palavras misteriosas e fez um sinal mágico com a mão.
Quando os cristãos chegaram à Serra do Nó, o castelo tinha
desaparecido. A tradição diz que quem conseguir descobrir a entrada do
castelo encantado através de uma gruta ficará possuidor de
maravilhosas riquezas! Abakir e a pastora ainda podem ser vistos em
noites de luar, vagueando pela serra, aparecendo àqueles que ousam
tentar descobrir o mistério do castelo encantado!

Retirado de Lendas de Portugal

publicado por tradicional às 00:46
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