Domingo, 2 de Julho de 2006

Lenda de S. Geraldo

 Há muitas centenas de anos, existiu um bispo chamado  Geraldo, que era o
 chefe de todas as igrejas de Portugal e Espanha. D. Geraldo, costumava de
 tempos a tempos, acompanhado pela sua cúria, fazer visitas prolongadas a
 essas igrejas.

 Numa dessas viagens por terras do Barroso, o Bispo já velhinho e cansado,
 sentiu-se fraco e doente. Os seus acompanhantes encontravam-se preocupados
 com a sua febre alta e aflitos sem saber o que fazer. Então D. Geraldo com
 uma voz já muito fraca, pedia com insistência que lhe trouxessem sumo de
 frutos das árvores do quintal.

 Admirados com tal pedido e incrédulos, foram ao quintal procurando nas
 árvores os desejados frutos e nada encontraram. Voltaram para junto do Bispo
 desalentados. D. Geraldo, persistia voltando a renovar o seu pedido,
 desejando frutos suculentos que lhe matassem a sede.

 Obedientes, os monges, voltaram de novo ao quintal e nada encontraram.

 Era apenas o Inverno e o rigor da paisagem própria desse tempo.

 Mais uma vez desalentados voltaram para junto do bispo por não lhe poderem
 satisfazer o seu insistente pedido.

 Pela terceira vez, o bispo pede aos frades que voltem de novo ao quintal e
 lhe tragam os frutos desejados. Estes, pouco crentes, regressam ao quintal
 e, para seu espanto, vêem que as árvores estão carregadas de frutos.

 O milagre tinha acontecido! Plenos de felicidade, levam-os à presença de S.
 Geraldo.

 Este, erguendo os olhos ao céu, agradece a Deus tamanho milagre, no que é
 acompanhado pelos servos da sua cúria.

 Séculos passados, ainda hoje, no dia 5 de Dezembro, se celebra na sua capela
 na Sé de Braga, o milagre dos frutos, ficando esta durante todo o dia
 ornamentada com frutos naturais da época, que pretende fazer reviver esta
 lenda a todos quantos a visitam.

 

 Contribuição de: Leonardo Silva
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publicado por tradicional às 18:06
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A Princesa Portuguesa Que Levou o Chá à Inglaterra

A Princesa era filha do rei D. João IV e chamava-se D. Catarina de Bragança.
Ela casou-se com o rei Carlos II da Inglaterra e ao contrário das inglesas
que eram na sua maioria loiras, a princesa era baixinha e morena. E para
muitos considerada feia, a pobrezinha.
Entretanto, o rei sempre gostou de Catarina e nunca quis anular o casamento
por falta de herdeiros. Além disso, o rei Carlos gostava muito da sogra.
Para o casamento, Catarina levou para a Inglaterra muitas riquezas que
faziam parte do dote. Uma delas foi a cidade de Bombaim, na Índia, sendo a
primeira colónia do grande império que tiveram na Índia.
Além da cidade como dote, levou na bagagem umas certas folhinhas que os
ingleses adoraram: o chá! Então foi a rainha Catarina que fez nascer a mais
inglesa das tradições, o chá das cinco.
Além disso, é em homenagem a rainha Catarina que foi dado o nome de
 "Queen's" para um bairro em Nova Iorque, nos Estados Unidos, que significa
Bairro da Rainha!

 

(Colaboração de José Pedro)

 

publicado por tradicional às 12:52
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A PADEIRA DE ALJUBARROTA

Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar. Era feia, grande, com os
cabelos crespos e muito, muito forte. Não se enquadrava nos típicos padrões
femininos
e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que
teve ao longo da vida. Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em
criança
preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de
donde estes tiravam o sustento diário. Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os
poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e
convivendo com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com
tal mestria que depressa alcançou fama de valente. Apesar da sua temível
reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e
lhe
propôs casamento. Ela, que não estava interessada em perder a sua
independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento. Como
resultado, o
soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo
da justiça. Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas
mouros
e Brites foi vendida como escrava. Com a ajuda de dois outros escravos
portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por
uma
tempestade, veio dar à praia da Ericeira. Procurada ainda pela justiça,
Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Um
dia,
cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e
casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.

O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de
Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou
na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia
derrotou o invasor castelhano. Chegando a casa cansada mas satisfeita,
despertou-a
um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos.
Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Tomada de zelo
nacionalista,
liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que
ainda se escondiam pelas redondezas. Conta a história que Brites acabou os
seus
dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos
ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi
religiosamente
guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da
procissão do 14 de Agosto.
(Colaboração de Manuel Seleiro) 

publicado por tradicional às 12:35
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O Monstro de Aljubarrota

No dia 14 de Agosto de 1385 estavam os exércitos português e castelhano
frente a frente, naquela que seria conhecida para sempre como a batalha de
Aljubarrota.
Eram cerca de 22 000 castelhanos contra 7 000 portugueses, mas, apesar da
desproporção de forças, os espanhóis hesitavam em atacar, impressionados
pela
serenidade mística dos portugueses. Assim ficaram durante horas, mas por fim
os castelhanos avançaram e a luta foi renhida, não conseguindo o invasor
atingir
a estratégica defesa portuguesa. Desesperados e tendo conhecimento da
existência de uma grande fera nas imediações do terreno, os castelhanos
decidiram
procurar a besta infernal para que esta os auxiliasse. Neste grupo de busca
encontrava-se um reputado bruxo castelhano que capturaria o monstro através
das suas artes mágicas. Após ter sido hipnotizado pelo bruxo, o monstro
concordou em ajudar os castelhanos. Colocado em frente do exército
português, livrou-o
o bruxo da sua influência para que pudesse recuperar o seu carácter violento
e devorar os portugueses. O monstro temível avançou e começou a desfazer os
soldados que estavam à sua frente, assustando até D. João I que se lembrou
de invocar a ajuda do seu patrono S. Jorge e da Virgem Maria, com toda a fé
que tinha. Segundo a lenda, S. Jorge desceu dos céus montado no seu cavalo e
rodeado por uma bola de fogo, lançando-se com a sua lança sobre a terrível
fera. Depois de vencer o monstro, S. Jorge virou-se contra o exército
inimigo desbaratando as sua fileiras e ajudando os portugueses a alcançar a
vitória.
D. João I mandou edificar uma ermida onde foi colocada a imagem de S. Jorge
montado no seu cavalo, matando o monstro com a sua lança.

 

publicado por tradicional às 12:31
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A SENHORA DA GAIOLA

A entrada de exércitos invasores num país traz consigo a depradação, o
latrocinar mais violento. No caso da invasão dos mouros na Lusitânia terá
sido muito
pior, não só pelo roubo à mão armada, como pela incompatibilidade religiosa.
Daí que em algumas terras de cristãos, os habitantes se vissem forçados a
esconderem nos lugares mais recônditos da sanha dos infiéis as imagens que
lhes eram mais queridas.
Foi o que sucedeu, segundo reza a lenda ou a tradição, com a imagem de Nossa
Senhora, ali nas Cortes, a uma curta légua a sul de Leiria.
Um dia, em mui recuados tempos, uns pastores internaram-se, com seus
rebanhos, mato a dentro, na direcção do sul, sempre mais e mais dentro de
densas brenhas.
E heis se não quando topam com uma linda imagem da Virgem Mãe de Jesus,
iriante, encastoada num tronco de árvore.
Os pastores ajoelharam reverentemente e logo construíram uma cabana de ramos
de árvores e mato para a entronizarem, cabana essa que mais parecia uma
gaiola.
A notícia correu célere e trouxe à pequena choça as gentes das vizinhanças
e, depois, a de lugares mais distantes, que à Santa Imagem começaram a
chamar
a Senhora da Gaiola, como ainda hoje é conhecida, venerada e festejada e já
considerada Padroeira da freguesia das Cortes.
Cumprimentos
publicado por tradicional às 00:42
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