Domingo, 25 de Junho de 2006

LENDAS DO ARCO-DA- VELHA

 

 

 

A lenda dos três rios

 

Era uma vez três rios que nasceram em Espanha. Chamavam-se Douro, Tejo e
Guadiana. Estavam um dia a contemplar as nuvens e perguntaram-lhes de onde
vinham.
- Do mar - responderam as nuvens. - Ele é o vosso pai.
- Onde fica o mar? - perguntaram os rios.
- Lá longe, em Portugal - responderam as nuvens.
- É grande? - perguntaram os rios.
- É, é muito grande - responderam as nuvens
- Havemos de ir ver o mar - disseram os rios.
E combinaram que no dia seguinte iriam os três ver o mar. Assim fizeram.
O Guadiana acordou primeiro e lá foi calmamente, contemplando os montes e as
belezas que o espreitavam, e escolhendo os caminhos por onde passava, ao
chegar a Vila Real de Santo António parou maravilhado.
O segundo foi o Tejo. Quando acordou já o sol ia alto. Começou a andar
depressa, quase não escolhendo caminho, mas, quando entrou em Portugal,
pensou lá consigo que já deveria ter muito avanço e lembrou-se de gozar as
campinas e os montes, espreguiçando-se nas margens planas, antes de se
lançar nos braços do pai.
O Douro, quando acordou e se viu só, nem esfregou os olhos. Partiu à pressa
por desfiladeiros e precipícios, não escolhendo caminho, nem pensando em
gozar a natureza. Assim foi ele que, muito sujo e enlameado, chegou em
primeiro lugar.
E assim, com essa lenda contamos um pouco da história dos nossos três rios
mais importantes. Cada um tendo características diferentes.

 

 

 

o lobisomem

 

Diz a lenda que quando uma mulher tem 7 filhas e o oitavo filho é homem, esse menino será um Lobisomem. Também o será, o filho de mulher amancebada com

um Padre.

Sempre pálido, magro e orelhas compridas, o menino nasce normal. Porém, logo que ele completa 13 anos, a maldição começa.

Na primeira noite de terça ou sexta-feira, depois do aniversário, ele sai à noite e vai até um encruzilhada. Ali, no silêncio da noite, se transforma em

Lobisomem pela primeira vez, e uiva para a lua.

 

Daí em diante, toda terça ou sexta-feira, ele corre pelas ruas ou estradas desertas com uma matilha de cachorros latindo atrás. Nessa noite, ele visita,

7 partes da região, 7 pátios de igreja, 7 vilas e 7 encruzilhadas. Por onde passa, açoita os cachorros e apaga as luzes das ruas e das casas, enquanto

uiva de forma horripilante.

 

Antes do Sol nascer, quando o galo canta, o Lobisomem volta ao mesmo lugar de onde partiu e se transforma outra vez em homem. Quem estiver no caminho do

Lobisomem, nessas noites, deve rezar três Ave-Marias para se proteger.

 

Para quebrar o encanto, é preciso chegar bem perto, sem que ele perceba, e bater forte em sua cabeça. Se uma gota de sangue do Lobisomem atingir a pessoa,

ela também vira Lobisomem.

 

 

mandioca.jpg (15911 bytes)

Ilustração: Antônio Elielson Sousa da Rocha

 

Em uma certa tribo indígena a filha do cacique ficou grávida.

Quando o cacique soube deste fato ficou muito triste, pois sonhava que a sua filha iria se casar com um forte e ilustre guerreiro, no entanto, ela estava

esperando um filho de um desconhecido.

À noite, o cacique sonhou que um homem branco aparecia em sua frente e dizia para que ele não ficasse triste, pois sua filha não o enganará, ela continuava

sendo pura. A partir deste dia o cacique voltou a ser alegre e a tratar bem sua filha.

Algumas luas se passaram e a índia deu a luz a uma linda menina de pele muito branca e delicada, que recebeu o nome de MANI.

Mani era uma criança muito inteligente e alegre, sendo muito querida por todos da tribo. Um dia, em uma manhã ensolarada, Mani não acordou cedo como de

costume. Sua mãe foi acordá-la e a encontrou morta.

A índia desesperada resolveu enterrá-la dentro da maloca.

Todos os dias a cova de Mani era regada pelas lágrimas saudosas de sua mãe.

Um dia quando a mãe de Mani foi até a cova para regá-la novamente com suas lágrimas, percebeu que uma bela planta havia nascido naquele local. Era uma planta

totalmente diferente das demais e desconhecida de todos os índios da floresta. A mãe de Mani começou a cuidar desta plantinha com todo carinho, até que

um dia percebeu que a terra à sua volta apresentava rachaduras.

A índia imaginou que sua filha estava voltando á vida e, cheia de esperanças, começou a cavar a terra. Em lugar de sua querida filhinha encontrou raízes

muito grossas, brancas como o leite, que vieram a tornar-se o alimento principal de todas as tribos indígenas. Em sua homenagem deram o nome de MANDIOCA,

que quer dizer Casa de Mani.

 

 

Lenda da Carrapichana

 

Lenda da Carrapichana

 

Constituindo nome ímpar, Carrapichana, conta a tradição que deve o seu nome a uma senhora, chamada Ana, figura típica e conhecida pela Carrapichana e lugares

circunvizinhos.

Conhecida pela sua voz aguda e forte de corpo, não se ficava atrás no que toca a beber. Sendo grande apreciadora de vinho, devorava de uma vez só, qualquer

copo de vinho que lhe oferecessem.

Ao darem-lhe um copo de vinho a beber, os homens incentivavam-na dizendo:

- Escorropicha esse copo, Ana! (Escorropicha designa o acto de beber).

Com o correr do tempo a terra passou a designar-se Carrapichana, por via erudita de "Escarrapicha, Ana!", para designar a terra onde " Escarrapicha Ana!"

um copo de vinho sem parar.

Num prédio da rua da Amoreira, encontra-se uma figura de pedra, que o povo chama Carrapichana, mulher que deu o nome à sua terra.

 

O vinho na mitologia

 

 

Três lendas da Cuba, Alentejo, Portugal.

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Lendas da Cuba - Alentejo

-

O Poço de S. Vicente

 

Contam  que, quando S. Vicente ainda andava pelo Mundo, passou por Cuba. Nessa altura era uma terra despovoada, com muito pouca gente; as pessoas só vinham

para cá na época das vindimas e das colheitas. Como estava com sede, procurou onde beber uma gotinha de água. Encontrou uma nascente à entrada da Cuba

e bebeu da sua água. Achou-a uma maravilha, fresquinha, limpa,... mesmo boa. Gostou tanto da água que resolveu dar-lhe um dom e protagonizou :

"... Quem desta água beber, nesta terra quererá ficar ..."

E assim foi. As pessoas começaram a ficar cá e continuaram a beber a água do Poço de S. Vicente e predestinação continua.

 As pessoas que vêm a Cuba gostam tanto de cá estar que voltam sempre e muitos forasteiros têm-se radicado cá.

Dizem até que antigamente, as moças da Cuba, quando os namorados eram de fora e nunca mais se resolviam a casar, elas como quem não quer a coisa, os levavam

a beber a água do poço de S. Vicente para ver se eles não abalavam ... e ficavam, não era por causa delas, ... era a modos da água.

Dizem os naturais de Cuba que " Cuba é melhor madrasta que mãe" que todos os que cá chegam querem cá ficar, mas não é assim; o Dom que S. Vicente deu à

água é que ainda hoje faz o milagre.

lenda  contada por Mariana Rocha - (Manana Farela )

 

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Os Avejões

 

Há muitos anos ... contam os mais velhotes, ainda a Cuba quase que não tinha luz à noite e a pouca que havia nas ruas, era fornecida pela fábrica do Sr.

Borralho.

Volta e meia ouvia-se dizer  "... anda aí um Avejão..." que era uma espécie de fantasma.

As pessoas ficavam logo cheias de medo e os menos afoitos evitavam sair à noite, não fosse o caso de dar de caras com o Avejão.

Os Avejões, dizem quem os viu ou ouviu,  eram uns entrouxos muito tapados com correntes amarradas e ao andar faziam um barulho de arrepiar.

Era um meeeeedo!...

Mas depois de passar o tempo, dizia-se :

 -" Olha, já nasceu o Avejanito ! ".

( Então o que eram os Avejões? Não mais do que alguns namoros mais escondidos, que muitas vezes os pais não queriam. Então, os rapazes iam ter com as namoradas

e para que ninguém os fosse espreitar, inventaram os AVEJÕES )

 

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A Costureirinha

 

Viveu à muitos anos na Cuba, uma mocinha, chamada Mariana. Por ser muito habilidosa e porque ganhava a vida a costurar de casa em casa para quem necessitava,

toda a gente a conhecia e tratava por Costureirinha. Ela fazia vestidos bordados, lençóis, etc., tudo à mão.

Levava uma vida sem muitas ambições, mas tinha um sonho; - ter uma máquina de costura. Trabalhava muito. Acabava os trabalhos nas casas das pessoas e depois,

quando vinha para casa, continuava a trabalhar pela noite fora para ganhar dinheiro para comprar o seu sonho; - a máquina de costura.

Trabalhou durante anos a fio, guardando numa caixinha algum dinheirito. Até que um dia, abriu o a caixinha onde guardava as suas poupanças, contou e recontou

o dinheiro e viu que era o que necessitava: três reis.

No dia seguinte, logo de manhãzinha, foi a caminho de Beja, muito feliz, para comprar a máquina.

Ela agora parecia outra, fazia obra num abrir e fechar de olhos, era como se tivesse mais pessoas a trabalharem para ela.

Passado algum tempo, houve um surto de tuberculose e a Costureirinha, também foi atacada pela doença. Ficou muito fraca e já estava desenganada dos médicos

- restava-lhe esperar que a morte a viesse buscar.

Muito triste, chorou muito. Voltou-se para a Virgem Nossa Senhora D'Aires e implorou-lhe que a curasse, que ela em troca lhe daria a máquina de costura

(que era aquilo que ela de mais valioso possuía).

E assim foi, a Costureirinha curou-se e voltou a trabalhar. Mas a máquina fazia-lhe tanta falta, que ela resolveu pedir à Virgem mil perdões, mas que só

lhe daria a máquina quando estivesse para morrer, pois era a sua única forma de ganhar o sustento.

A virgem acedeu e a Costureirinha lá continuou a fazer os seus belíssimos trabalhos.

Já muito velhinha, sentindo que já não lhe restava muito tempo e como não tinha família e já não trabalhava, pediu a um estafeta que levasse a máquina de

costura à Virgem Nossa Senhora D'Aires, porque já não se sentia capaz de fazer essa viagem.

O estafeta acedeu, mas quando ia na viagem pensou em vender a máquina; e se o pensou, melhor o fez.

Quando voltou de viagem disse à Costureirinha que tinha entregue a máquina na Igreja da Senhora D'Aires, como lhe tinha prometido.

Passado algum tempo a Costureirinha finou-se. Quando se encontrou com a Virgem, esta perguntou-lhe pela máquina de costura. A Costureirinha contou-lhe a

história toda e a Virgem perdoou-lhe a falta. Mas a Costureirinha é que que não se esqueceu da promessa por cumprir e então de tempos a tempos vem à procura

do estafeta.

Contudo, não o consegue encontrar. Então dá um sinal que é o barulho de uma máquina de costura a trabalhar, para que o estafeta ao ouvi-lo se lembre da

falta que cometeu.

E ainda hoje, à noitinha, o tic-tic-tic da máquina de costura se consegue ouvir de casa em casa.

publicado por tradicional às 14:32
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