Domingo, 25 de Junho de 2006

Lenda da Moura Salúquia

Conta que a princesa e governadora da cidade (então chamada Al-Manijah), de
nome Salúquia, filha de Abu-Hassan, se apaixonou pelo alcaide de Aroche,
Bráfama. Na véspera do matrimónio, Bráfama dirigiu-se então com uma comitiva
para Moura, a dez léguas de distância. Mas todo o território alentejano a
norte e oeste tinha já sido conquistado pelos cristãos, e a jornada
revelava-se perigosa. Entretanto, D. Afonso Henriques encarregara dois
fidalgos, os irmãos Álvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues, de conquistar a
cidade de Moura.

Estando ao corrente dos preparativos matrimoniais que aí se desenrolavam,
emboscaram-se num olival perto dos limites da povoação. Surpreendidos pela
acção dos cavaleiros cristãos, a comitiva de Aroche foi facilmente vencida,
e Bráfama foi morto. Então, disfarçando-se com as vestes dos representantes
muçulmanos, os fidalgos cristãos dirigiram-se para a cidade. Do alto da
torre do castelo, onde aguardava a chegada do seu noivo, e vendo
aproximar-se um grupo de cavaleiros aparentemente islâmicos, Salúquia julgou
que se tratava da comitiva de Aroche, ao que ordenou que lhes franqueassem
as portas da fortificação.

Mas mal transpuseram a muralha, os cristãos lançaram-se sobre os defensores
da cidade, tomados de surpresa, e conquistaram o castelo. Salúquia
apercebeu-se então do erro que tinha cometido e, ferida pela certeza da
morte de Bráfama, tomou as chaves da cidade e precipitou-se da torre onde se
encontrava.

Comovidos pela história de amor que os sobreviventes islâmicos lhes
contaram, os irmãos Rodrigues teriam renomeado a cidade para Terra da Moura
Salúquia. O tempo encarregar-se-ia de transformar esta designação para Terra
da Moura, até que evoluíu para a actual forma de Moura.

A uma torre de taipa do Castelo de Moura ainda hoje se chama a Torre de
Salúquia, e a um olival nas proximidades de Moura, aquele onde supostamente
teriam sido emboscados Bráfama e a sua comitiva, o povo chama Bráfama de
Aroche.

Nas armas da cidade figura, deitada no chão, uma moura morta, com uma torre
em segundo plano, numa alusão à Lenda da Moura Salúquia..
(Manuel Seleiro)

publicado por tradicional às 15:03
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