Domingo, 25 de Junho de 2006

A lenda do pirata Cambaral e da bela Leonor

Durante a primeira metade do século XVI, aquando do povoamento da ilha da
Madeira, chegou a este arquipélago, vindo do mar, um barco de piratas que
tinha
como comandante , Cambaral, pirata jovem e forte que espalhava o terror por
onde passava.
Amedrontados, os pescadores , foram pedir auxilio a um dos ricos homens da
ilha, de modo a que fosse dado caça ao pirata, para que este fosse condenado
á morte.
Assim que se aproximaram do barco que se encontrava ao largo da praia,
aqueles que iam dar caça aos piratas, foram também avistados por estes que
logo se
prepararam para o combate. Combate esse que durou várias horas e que
provocou bastantes mortes de ambos os lados.
Os piratas começaram a ceder e Cambaral, encontrado bastante ferido e sem
sentidos, foi feito prisioneiro. O homem rico que tinha liderado a luta,
levou
Cambaral para sua casa de modo a curá-lo antes que este fosse entregue á
justiça do reino.
Cambaral, foi entregue aos cuidados de Leonor, filha do dono da casa e
começou a sarar dia após dia. Esta convivência acabou por criar uma certa
intimidade
entre os dois belos jovens. Cambaral, ia ficando cada dia cada vez mais
fascinado e apaixonado por Leonor.
Vários dias se passaram e também Leonor foi ganhando amor pelo seu
prisioneiro. Passavam os dois, várias horas lado a lado, ela dedicando-se
cada vez mais
a ele e ele ficando cada vez mais apaixonado por ela.
Um mês após a batalha, Cambaral, ficou livre de perigo e teria que ser
entregue á justiça. Poucos dias restavam aos dois apaixonados
Leonor começou a olhar com esperança para o mar, á espera que dali viesse
alguma salvação. Cambaral, perdeu definitivamente o seu lado cruel e Leonor
acreditou
na sua regeneração definitiva.
Acabaram por compreender que nada mais lhes restava para além da fuga.
Cambaral, tinha ainda o seu barco no mar e acabaram por traçar um plano para
a noite
seguinte.
Quando a noite do dia seguinte chegou, Leonor dirigiu-se como sempre ao
quarto do prisioneiro que entretanto já tinha conseguido fugir. Ai
permaneceu o
tempo costumeiro e em seguida retirou-se para o seu quarto. Quando tudo
estava em silêncio na casa, Leonor saiu de mansinho, conforme o plano
traçado e
dirigiu-se á ponte onde se encontraria com o seu pirata.
Quando enfim se reuniram sobre a ponte, cheios de alegria abraçaram-se e
beijaram-se. Mas nesse preciso momento, o pai da jovem que tinha dado pela
sua
fuga, cheio de ódio pela traição sofrida, ergueu a espada que trazia e
cortou com um só golpe a cabeça aos dois amantes. Ali caíram os corpos
abraçados.
E a partir desse dia, aquela ponte, onde os amantes morreram abraçados,
ficou a ser conhecida pelo povo como a ponte do beijo.

(Manuel Seleiro)

publicado por tradicional às 16:03
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