Domingo, 2 de Julho de 2006

A PADEIRA DE ALJUBARROTA

Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar. Era feia, grande, com os
cabelos crespos e muito, muito forte. Não se enquadrava nos típicos padrões
femininos
e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que
teve ao longo da vida. Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em
criança
preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de
donde estes tiravam o sustento diário. Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os
poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e
convivendo com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com
tal mestria que depressa alcançou fama de valente. Apesar da sua temível
reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e
lhe
propôs casamento. Ela, que não estava interessada em perder a sua
independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento. Como
resultado, o
soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo
da justiça. Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas
mouros
e Brites foi vendida como escrava. Com a ajuda de dois outros escravos
portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por
uma
tempestade, veio dar à praia da Ericeira. Procurada ainda pela justiça,
Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Um
dia,
cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e
casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.

O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de
Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou
na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia
derrotou o invasor castelhano. Chegando a casa cansada mas satisfeita,
despertou-a
um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos.
Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Tomada de zelo
nacionalista,
liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que
ainda se escondiam pelas redondezas. Conta a história que Brites acabou os
seus
dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos
ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi
religiosamente
guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da
procissão do 14 de Agosto.
(Colaboração de Manuel Seleiro) 

publicado por tradicional às 12:35
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